Artigo
FOTO: DGABC

Há apenas três certezas na vida: a morte, os boletos e a mudança. Tudo muda e, pelo bem ou pelo mal, isso inclui você. O que funcionava ontem pode não funcionar amanhã e a estabilidade é uma ilusão passageira. O mundo avança, tecnologias se reinventam, comportamentos se transformam e, quando menos percebemos, nos tornamos obsoletos. Não pela idade, mas por inércia.
Pense em um atleta no auge da carreira. Ele é veloz, disciplinado e ágil. Mas o tempo passa e surge um competidor mais jovem. A decadência vem de quem acha que o auge é um lar. O mesmo vale para qualquer profissional, sejam eles líderes, educadores ou empreendedores. A pergunta não é se a mudança vai chegar, mas quando. E ela chega.
A história japonesa dos samurais mostra isso. Por séculos, dominaram o Japão com disciplina e maestria no uso da espada. Até que a pólvora chegou e toda a técnica perdeu espaço diante das armas de fogo. Muitos resistiram e morreram, outros compreenderam que não adiantava lutar contra o inevitável e se reinventaram. A realidade se preocupa apenas com quem se adapta.
Aprender continuamente é necessidade. O filósofo Sócrates dizia: “Só sei que nada sei.” A frase mostra humildade e reconhece que o mundo é maior que o nosso repertório. Como a água, o conhecimento que não se renova, apodrece.
A todo instante vemos quem não entendeu isso. Durante décadas, datilógrafos dominaram o trabalho. Até que os computadores chegaram e quem não se adaptou ficou para trás. Hoje, isso ocorre com profissionais que ignoram inteligência artificial, transformação digital ou novas habilidades. O problema não é a tecnologia, mas quem se recusa a aprender novas formas de trabalhar.
A obsolescência é lenta e começa quando alguém acredita que já fez o suficiente. A reinvenção, ao contrário, é um ato de coragem, ou ‘a nova competência essencial’. Aceitar o desconforto pode ser considerada parte da evolução; não existe crescimento sem curiosidade. Atualizar-se, observar tendências e questionar o próprio modo de pensar compõe a luta contra o esquecimento.
Tudo fica obsoleto. As máquinas, as ideias, os métodos e todos nós também. Mas a boa notícia é que a obsolescência não é o fim da linha. É, sim, um aviso para quem se recusa a aprender e, por isso, acaba envelhecendo antes do tempo.
No fim, o que garante nossa relevância neste mundo não é o que sabemos, mas o quanto ainda estamos abertos a aprender.
Eduardo Zugaib é educador executivo, professor e autor do livro Filosofia Bruta.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.