Prevenção Condição é a mais incidente entre as principais infecções sexualmente transmissíveis; Campanha Outubro Verde estimula testagem gratuita
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O Grande ABC registrou 2.605 casos de sífilis entre janeiro e setembro deste ano, o que corresponde a 82% das principais ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) na região — ou seja, cerca de oito em cada dez. Durante o mesmo período, foram registrados 319 casos de HIV e 224 de hepatites B e C nas sete cidades. As prefeituras não divulgaram os dados dos registros de HPV e gonorreia.
Durante este mês, o Ministério da Saúde promove a Campanha Outubro Verde, iniciativa de conscientização que reforça a testagem e tratamento gratuitos das ISTs no SUS (Sistema Único de Saúde) por meio das UBSs (Unidade Básica de Saúde) de cada município.
A infectologista do Hospital e Maternidade Santa Helena, Monica Peduto Pecoraro Rodrigues, acredita que um dos motivos da alta incidência é o fato de a condição ser curável e o tratamento simples, o que diminui a preocupação com o contágio. Já o HIV, por exemplo, causa uma maior comoção por não ter cura.
“As manifestações visíveis da sífilis desaparecem espontaneamente. Isso dá a falsa impressão de que houve uma cura. O portador não se sente doente e pode continuar transmitindo a infecção”, justifica.
A sífilis, porém, pode evoluir para casos mais graves. “Na fase aguda da condição, que ocorre em torno de três a quatro semanas após o contágio, a principal manifestação é uma lesão solitária frequentemente na boca ou região genital. A lesão é indolor e desaparece espontaneamente sem deixar cicatriz”, menciona a médica.
Outros sintomas incluem mal-estar, dores musculares, dor de cabeça, queda de cabelo e inflamação na garganta. Na fase terciária, a infecção pode afetar os sistemas nervoso e cardiovascular.
A sífilis adquirida é uma infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema Pallidum, transmitida, assim como as demais ISTs, pelo contato sexual. Ou seja, sua prevenção é feita por meio do uso de preservativo durante as relações.
Outra forma de transmissão é da mãe para o feto através da placenta, denominada sífilis congênita. Por isso, é importante o acompanhamento pré-natal.
Apesar da alta incidência - oito vezes mais que o HIV e 11 vezes maior que as hepatites B e C -, o número de casos de sífilis está em queda. Nos nove primeiros meses de 2024, com exceção de Diadema, que não informou os números do ano passado, a região teve 2.126 diagnósticos, queda de 17,3% em comparação com os cinco municípios no mesmo período deste ano – 1.758.
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PRECONCEITO
A auxiliar de limpeza de São Bernardo, Gilda (nome fictício), 45 anos, descobriu em um teste rápido na UBS neste ano que contraiu sífilis. “Nunca imaginei que pudesse acontecer comigo, sempre usei preservativo, somente com meu companheiro no ano passado que não usei, quando provavelmente me contaminei”, relata a munícipe, que, devido ao preconceito, prefere não revelar sua identidade.
No entanto, o maior medo ao receber o diagnóstico foi em relação à sua saúde. Estava prestes a se tornar avó quando soube da infecção e temeu não chegar a conhecer a neta. “Minha filha estava grávida, e eu fiquei com medo de morrer. Mas me tranquilizaram, dizendo que havia cura. Segui as orientações e iniciei o tratamento.”
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