Investigação durou um ano Ação causa transtornos aos moradores e divergências entre autoridades
FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Rio de Janeiro deflagrou na última terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, a maior operação de segurança em 15 anos e a mais letal do Estado. A ação culminou em 64 mortes, superando o número de mortos da operação no Jacarezinho, considerada uma chacina, que deixou 28 mortos em 2021.
A Operação Contenção foi planejada por 60 dias após mais de um ano de investigação e mobilizou 2.500 policiais civis e militares com o objetivo de conter a expansão territorial do Comando Vermelho.
Foram cumpridos centenas de mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça a partir de inquéritos da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes). O balanço parcial registrou 81 presos, 72 fuzis apreendidos e grande quantidade de drogas ainda em contabilização.
O município do Rio de Janeiro entrou em estágio dois de atenção, o que significa risco de ocorrência de alto impacto. A ação acarretou transtornos por toda a cidade. O dia também foi marcado por divergência entre autoridades.
Vias no entorno dos complexos do Alemão, Penha, Chapadão, São Francisco Xavier, na Zona Norte; Freguesia, em Jacarepaguá; e Taquara, na Zona Sudoeste, passaram por interdições temporárias, situação parcialmente normalizada algumas horas depois.
Entretanto, os cariocas tiveram dificuldade para retornar para casa. Em função das ocorrências policiais, mais de 120 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados. Em razão da falta de ônibus em vários pontos da cidade, as estações do Metrô ficaram lotadas de passageiros.
Devido aos desdobramentos da megaoperação policial, aulas foram interrompidas em diferentes níveis de ensino. Na região do Alemão, 31 escolas municipais tiveram aulas suspensas. Na Penha, foram 17. Na rede estadual, 35 unidades tiveram as atividades suspensas.
Ao falar sobre a Operação Contenção, o governador Cláudio Castro (PL) cobrou mais apoio do governo federal no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro. Segundo Castro, o estado está atuando “sozinho nesta guerra.”
O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse que não recebeu pedido do governador para apoiar a Operação Contenção. Ele lembrou que, no começo deste ano, o governador do Rio esteve no Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitando a transferência de líderes das facções criminosas para penitenciárias federais de segurança máxima. “Foi atendido. Nenhum pedido foi negado”, reforçou.
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