Setecidades Titulo Dia Mundial do AVC

A cada 6 horas, uma pessoa morre por AVC na região

De janeiro a setembro, o Grande ABC registrou 1.196 óbitos; médica alerta para conscientização

29/10/2025 | 09:14
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entre janeiro e setembro deste ano, o Grande ABC registrou, em média, uma morte por AVC (Acidente Vascular Cerebral) a cada seis horas, de acordo com dados da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo). No total, a região somou 1.196 óbitos em nove meses.

A média mensal nas sete cidades foi de 133 mortes. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 10% nas ocorrências fatais pela doença – em 2024, o número de vítimas no período havia sido de 1.086.

Segundo o levantamento, Santo André e São Bernardo foram os municípios com maior número de óbitos no ano, com 396 e 350, respectivamente. Na sequência aparecem Mauá (149), Diadema (141), São Caetano (91), Ribeirão Pires (49) e Rio Grande da Serra (20). (Veja dados por município na tabela acima)

DGABC

A neurologista e professora do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Evelyn Pacheco, explicou que o AVC é uma doença neurológica aguda, causada por uma alteração do fluxo sanguíneo cerebral, considerada como emergência. Nesta quarta-feira (29), é celebrado o Dia Mundial do AVC. Além disso, foi instituído, em 2024, o Dia Nacional de Prevenção da doença.

“São duas principais causas. A primeira é o acúmulo de placas de gordura no pescoço, que descolam e entopem a circulação craniana. A outra é cardíaca, que forma coágulos e também entope as artérias do coração”, disse a especialista.

Em relação ao aumento por cidade, seis municípios registraram alta nas mortes por AVC em um ano. Proporcionalmente, Ribeirão Pires lidera o ranking com uma crescente de 28%, sendo compilados 38 óbitos no período passado. Na ordem aparecem, São Caetano com alta de 22% (74 mortes em 2024), Rio Grande da Serra com 17% (17), Santo André com 11% (355), São Bernardo com 9% (319) e Diadema com 7% (131). Mauá foi a única da região que marcou uma diminuição de 2%, sendo contabilizadas 152 mortes em 2024.

A médica da FMABC reforçou que o aumento é derivado de uma falta de conhecimento pela urgência e comentou os sintomas iniciais. “Ainda não é reconhecido como emergência. Qualquer pessoa que apresente dor no peito, formigamento nos membros, alterações visuais, na fala ou na força, além de assimetria facial, deve procurar atendimento médico imediato. Mas as pessoas acabam não valorizando e procuram de forma muito tardia, afetando o tratamento”, falou.

A docente ainda reforçou que 90% dos casos da doença são preveníveis. “A prevenção passa por hábitos saudáveis com baixa ingestão de gorduras, controle do colesterol, da pressão e diabete. Além de abolir o sedentarismo, tabagismo e bebidas alcoólicas”, concluiu Evelyn Pacheco.

LEIA TAMBÉM:

Santo André ganha novo radar a partir desta quarta (29); saiba onde

Ocorre em qualquer idade, diz médica

Apesar do estigma e maior incidência em pessoas com mais idade, a professora do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Evelyn Pacheco, ressaltou que a doença pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças.

Esse é o caso da recepcionista e moradora de Santo André, Júlia da Silva, 19 anos, que sofreu um AVC aos oito. 

“Estava em um pula-pula. Comecei a ter uma dor de cabeça muito forte, comentei com a minha mãe, mas nada passava. Corremos para o hospital e na sala de espera deitei no colo dela. Depois disso, entrei em coma. Fui acordar só dois dias depois na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde fiquei dez dias intubada”, disse.

Após a recuperação inicial e o uso das medicações necessárias, a andreense ficou com o lado direito do corpo paralisado. Por causa dessa limitação, Júlia precisou se adaptar e passou a realizar todas as atividades utilizando o lado esquerdo.

Buscando melhorar sua condição, ela iniciou sessões de fisioterapia e também de pilates. “O médico disse que teria de fazer exercícios pelo resto da vida, porque meu lado direito não voltaria a funcionar. Desde então, mantenho essa rotina. Também praticava natação. Hoje, as pessoas dizem que nem dá para perceber a minha condição”, contou.

Apesar de passar 11 anos do ocorrido, a recepcionista ainda sente algumas dificuldades, como tremedeira nas mãos, dores no pé e uma leve dificuldade para andar.

Para a neurologista e docente da FMABC, Evelyn Pacheco, a união entre acompanhamento médico e outros setores é o plano central para amenizar as sequelas. “O tratamento do paciente deve ser multidisciplinar. Não é só o neurologista. Para termos sucesso, precisamos de junção de esforços”, concluiu.

“É difícil, mas tenho a certeza que teve as mãos de Deus. Quando conto minha história, muitas pessoas falam que não acreditam que estou aqui. Hoje, eu realmente falo que foi um milagre, uma vitória.” finalizou Júlia.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;