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Pelo parto natural

27/10/2025 | 09:07
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A redução de 9% nos partos normais realizados na rede pública do Grande ABC entre janeiro e setembro deste ano, conforme mostra reportagem publicada nesta edição do Diário, acende sinal de alerta sobre o rumo das políticas de saúde materna na região. Enquanto o número de cesarianas mantém trajetória de alta, contrariando a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde), que orienta que apenas 15% dos nascimentos ocorram por meio cirúrgico, as gestantes seguem enfrentando falta de incentivo e estrutura para escolher o parto natural. As sete cidades precisam enfrentar esse cenário adverso, garantindo as condições adequadas nas maternidades municipais.

O parto normal, como atestado pela ciência, traz benefícios reconhecidos para mãe e bebê. Estimula a liberação de hormônios como ocitocina e endorfina, que aliviam a dor, fortalecem o vínculo afetivo e facilitam a amamen-tação. Também reduz o risco de infecções, acelera a recuperação do útero e diminui o tempo de internação hospitalar. Ainda assim, o modelo predominante de atenção ao nascimento privilegia a conveniência e o controle do tempo, em detrimento da fisiologia e do bem-estar das mulheres. Para reverter essa lógica, é necessário que o poder público promova ações de conscientização, amplie equipes de enfermeiras obstétricas e doulas e garanta suporte psicológico às gestantes.

A experiência de projetos como o de Santo André, que instituiu o Dia da Conscientização do Parto Normal, demonstra que é possível criar uma cultura de valorização do nascimento natural. Mas é evidente que ainda se faz pouco, como demonstram as estatísticas ora trazidas à luz. Cabe, portanto, às administrações municipais ampliar o alcance dessas iniciativas e investir em programas regionais de incentivo ao parto humanizado. A redução das cesarianas não depende apenas da escolha individual, mas de uma política pública que assegure informação, acolhimento e segurança. Promover o parto natural é investir em saúde, em cidadania e no futuro das famílias do Grande ABC. Este é o momento.

DGABC



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