Procedimentos Foram feitos 4.675 procedimentos de janeiro a setembro de 2025 contra 5.146 no mesmo período de 2023; cesarianas somaram 43%
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A rede pública do Grande ABC registrou, entre janeiro e setembro deste ano, 4.675 partos normais, queda de 9% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram contabilizados 5.146. Na comparação com o ano passado, a redução foi menor, de 2,9%, com 4.817 procedimentos.
No mesmo período de 2025, foram realizadas 3.524 cesarianas, correspondendo a 43% do total de 8.199 partos. Em 2024, seis cidades somaram 3.719 cesáreas, representando 43,6% das 8.536 cirurgias realizadas nos hospitais públicos da região. Já em 2023, de janeiro a setembro, registraram-se 3.468 cesarianas, ou seja, 40% das 8.614. Os números não contabilizam São Caetano, que não informou os dados de cesarianas registradas na rede municipal.
A ginecologista Alessandra Ferrarez destaca que a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que apenas 15% dos partos sejam por cesariana. “O Brasil é um dos países com maior número de cesáreas do mundo, chegando a 85% em alguns locais”, compara.
A médica aponta que o aumento de cesarianas é um reflexo da vida moderna por sua facilidade. “As pacientes querem comodidade e as instituições reduzem custos, mas temos que lembrar que ela é uma cirurgia como qualquer outra e traz riscos. Se tudo transcorrer bem com a mãe e o bebê, recomenda-se o parto normal.”
Entretanto, Alessandra acrescenta que apesar de ser importante priorizar o parto normal, é necessário ter um limite e não expor mãe e bebê a exaustivas horas de tentativas. Há também casos onde a cesariana se faz necessária para evitar riscos de lesões e morte.
A dona de casa de São Bernardo Jaqueline Brandolise Torres Gomes, 23 anos, optou por ter seus dois filhos, de 2 e 8, de parto normal. Porém, a terceira, Ivy Brandolise Tambalo, não quis esperar e nasceu a caminho da maternidade, no automóvel da família, às 9h50 do dia 19 deste mês. Foi seu marido, Thiago Muniz Tambalo, 40, que trabalha com estética automotiva, que ajudou a trazer a bebê ao mundo.
“Ele ficou em êxtase de tão feliz. Disse que nunca vai vender nosso carro. Foi tudo muito rápido. Minha bolsa estourou e fomos para o Hospital da Mulher. Só que, no caminho, a cabeça da nenê saiu. Então meu esposo parou e ajudou a fazer o parto. Na sequência, chamamos o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que fez os procedimentos”, conta Jaqueline.
A psicóloga e doula de Santo André, Carla Capuano, após uma experiência pessoal com o parto humanizado, em 2012, decidiu criar uma rede de apoio, incentivo e conscientização, a Casita.
“Senti que faltava um espaço no Grande ABC que acolhesse a mulher de forma integral, física e emocionalmente”, pontua. Em 29 de setembro de 2019, a Casita realizou um evento de Conscientização do Parto Normal na região. “Naquele dia, nasceram dois bebês de parto humanizado com a nossa equipe, um deles em Santo André, nascimento que tive a honra de acompanhar como doula”, conta.
A data foi oficializada como Dia da Conscientização do Parto Normal neste ano, por meio da Lei municipal de número 10.823, que tornou a cidade de Santo André a primeira cidade do País a instituir um dia oficial para a celebração, de acordo com Carla.
“O objetivo é conscientizar a população sobre os benefícios. Esse tipo de parto estimula a liberação natural de hormônios analgésicos, como endorfina e ocitocina, que ajudam a reduzir a dor e fortalecem o vínculo afetivo com o bebê. Além disso, favorece a amamen-tação, pode proteger contra a depressão pós-parto e contribui para uma recuperação mais rápida do útero e dos órgãos internos”, explica a psicóloga e doula.
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