Assistências No total, foram registrados 81.980 acompanhamentos de saúde mental para jovens em 2025
FOTO: André Henriques | DGABC

O número de atendimentos de crianças e adolescentes nos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) registrou aumento de ao menos 18% no Grande ABC, nos nove primeiros meses de 2025. De acordo com as prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, a quantidade de serviços voltados ao público jovem foi de 81.980.
Em comparação com o ano de 2024, o total de atendimentos desse público foi de 69.258. Vale ressaltar que o número pode ser ainda maior, visto que Santo André e Mauá encaminharam os dados de janeiro a agosto. Já Rio Grande da Serra contabilizou 39 acompanhamentos em setembro deste ano, porém a administração não enviou o montante de 2024.
A pedagoga e moradora de São Bernardo, Ivone Nascimento, 33 anos, acompanha sua filha Giovanna Nascimento, 15, em suas sessões no Caps III Infantojuvenil, no bairro Assunção. “Faz dois meses que passamos aqui. Conheci por uma amiga minha e viemos buscar tratamento. O principal motivo foi a parte comportamental e questões de ansiedade”, comentou a mãe.
Ivone contou que já percebe melhorias na saúde mental da filha. “Ter acesso gratuito a esse serviço é ótimo, já que o atendimento particular é muito caro. Acredito que todos os jovens hoje precisam de algum tipo de apoio e acompanhamento”, afirmou a pedagoga.
Para a gerente da unidade são-bernardense e terapeuta ocupacional, Larissa de Aragão, o acompanhamento desde a infância ajuda na criação de um adulto e uma comunidade saudável. “A gente tem mania de separar os cuidados, mas pensar na saúde mental é cuidar do corpo todo. Esse cuidado vai gerar pessoas com mais repertório para enfrentar certos problemas”, disse.
Nos seis municípios (excluindo Rio Grande da Serra), o número de assistências voltadas aos jovens corresponde a 15% do total de atendimentos nos Caps. Em 2025, as cidades contabilizaram 540 mil serviços gerais, sendo 82 mil direcionados aos mais novos.
Outra questão levantada por Larissa é o trabalho de remover os estereótipos desse tipo de serviço. “Hoje, tentamos tirar aquele estigma de que o Caps é um lugar de ‘louco’. Além de trabalhar muito na saúde mental, a equipe também fala sobre diversos aspectos, como violência e questões sociais”, ressaltou a terapeuta.
De acordo com a especialista, o Caps oferece ao público jovem acompanhamentos, grupos de terapia, sessões individuais, visitas em pontos turísticos, além de jogos e brincadeiras, visando uma linguagem mais atrativa.
Além disso, a gerente afirmou que a família tem um papel fundamental no acompanhamento. “Quando temos uma família mais fortalecida é mais tranquilo para fazer as intervenções. Não adianta fazer aqui e quando voltar para casa ter outro manejo. É importante a família estar com a equipe, com a escola e outros grupos que a criança faz parte. É necessário que todos falem a mesma língua” completou Larissa.
A estudante Caroline Silva, 13, também frequenta o equipamento de São Bernardo há dois meses. Para ela, estar no Caps é um encontro com sua família de consideração. “Todos os dias que chego é bem animado. É como se eu renovasse minha alma. Considero todo mundo aqui minha família, minha segunda casa. É um lugar de aprendizado e para conhecer a si mesmo” falou a jovem.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.