Tratativas bilaterais Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC telefonou a Lula após reunião com Trump, na Malásia, e aposta no fim da sobretaxa
FOTO: Ricardo Stuckert/PR

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, afirmou que o Brasil deve conseguir reverter o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos e avançar no fortalecimento de novos acordos comerciais. Ele conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo após a reunião do petista com o presidente norte-americano, Donald Trump. A agenda dos líderes ocorreu ontem, na Malásia, às 4h30, no horário de Brasília.
“Tive a oportunidade de falar com o presidente pela manhã e ele confirmou que as tratativas continuaram ao longo do dia. A avaliação foi extremamente positiva, até melhor do que o próprio governo esperava. Também não é surpresa, porque os países têm uma relação de mais de 200 anos”, detalhou Selerges.
Apenas no primeiro mês em vigor, o tarifaço resultou em perda de aproximadamente U$ 15 milhões, cerca de R$ 79,2 milhões ao Grande ABC em agosto. O balanço foi feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a pedido do sindicato.
“Acreditamos que as cobranças serão totalmente revogadas. O setor de máquinas foi fortemente atingido na nossa região. Os próprios empresários norte-americanos estão conversando com a Casa Branca para acabar com isso. A expectativa é que façamos novos acordos comerciais com Trump”, disse Selerges.
Na reunião, o governo brasileiro reforçou que a imposição das tarifas de 50% sobre produtos nacionais desconsidera o fato de que os norte-americanos mantêm superávit na balança comercial em relação ao Brasil. Antes do diálogo, Trump havia dito que estava aberto a “avançar rápido” nesta discussão.
“Tive uma ótima reunião com o presidente Trump. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, afirmou Lula pelas redes sociais.
“É uma grande honra estar com o presidente do Brasil. Acho que conseguiremos fechar bons negócios para ambos os países. Sempre tivemos um bom relacionamento – acho que continuará assim”, disse o norte-americano, também em rede social.
Durante a conversa com o republicano, o petista disse, ainda, que as sanções contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são “injustas”, já que o devido processo legal foi respeitado e “não houve nenhuma perseguição”.
“O presidente Lula começou dizendo que não havia assunto proibido e renovou o pedido de suspensão das tarifas impostas à exportação brasileira durante um período de negociação, da mesma forma a aplicação da lei Magnitsky a algumas autoridades brasileiras”, relatou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A conversa contou também com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; do secretário do Tesouro, Scott Bessent; e do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As negociações continuaram em Kuala Lumpur, entre ministros brasileiros e líderes dos Estados Unidos.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) declarou, em nota, que está à disposição para contribuir tecnicamente com a retomada das relações entre os países “sem taxas abusivas” e chamou a conversa de “avanço concreto”.
“Um eventual acordo devolverá previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras”, destacou presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade também deseja que as nações conversem sobre energia renovável, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia.
A Abic (Associação Brasileira do Café) ressaltou que, mesmo com os novos desafios, o setor mantém posição sólida no mercado internacional. “Os últimos encontros entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil têm sido mais positivos e estamos otimistas. As relações de longo prazo entre as nações permitirão uma reavaliação equilibrada e responsável dessas tarifas, com base em critérios técnicos e em benefício mútuo”, comentou o presidente Pavel Cardoso.
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