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Moisés Selerges conversa com Lula e fala de revogação total do tarifaço

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirma que Brasil deve avançar no fortalecimento de novos acordos comerciais depois de tratativas na Malásia

Beatriz Mirelle
26/10/2025 | 13:40
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Edu Guimarães/Divulgação
Edu Guimarães/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, afirma que o Brasil deve conseguir reverter o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos e avançar no fortalecimento de novos acordos comerciais. Ele conversou por telefone com o presidente Lula logo após a reunião do petista com o presidente norte-americano, Donald Trump. A agenda dos líderes ocorreu neste domingo (26), na Malásia, às 4h30, no horário de Brasília.

“Tive a oportunidade de falar com o presidente pela manhã e ele confirmou que as tratativas continuaram ao longo do dia. A avaliação foi extremamente positiva, até melhor do que o próprio governo esperava. Também não é surpresa, porque os países têm uma relação de mais de 200 anos”, detalha Selerges.

Apenas no primeiro mês em vigor, o tarifaço resultou em perda de aproximadamente U$ 15 milhões, cerca de R$ 79,2 milhões ao Grande ABC em agosto. O balanço foi feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a pedido do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC).

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“Acreditamos que as cobranças serão totalmente revogadas. O setor de máquinas foi fortemente atingido na nossa região. Os próprios empresários norte-americanos estão conversando com a Casa Branca para acabar com isso. A expectativa é que façamos novos acordos comerciais com Trump”, explica Seleges.


REUNIÃO NA MALÁSIA

A reunião entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos durou cerca de uma hora. O governo brasileiro reforçou que a imposição das tarifas de 50% sobre produtos nacionais desconsidera o fato de que os norte-americanos mantêm superávit na balança comercial em relação ao Brasil.

“Tive uma ótima reunião com o presidente Trump. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, afirmou Lula pelas redes sociais, logo após a agenda. 

Durante a conversa com o republicano, o petista disse, ainda, que as sanções contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) são “injustas”, já que o devido processo legal foi respeitado e “não houve nenhuma perseguição”. 

“O presidente Lula começou dizendo que não havia assunto proibido e renovou o pedido de suspensão das tarifas impostas à exportação brasileira durante um período de negociação, da mesma forma a aplicação da lei Magnitsky a algumas autoridades brasileiras”, relatou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A conversa contou também com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; do secretário do Tesouro, Scott Bessent; e do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As negociações continuaram em Kuala Lumpur, entre ministros brasileiros e líderes dos Estados Unidos.


REPERCUSSÕES 

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) declarou, em nota, que está à disposição para contribuir tecnicamente com a retomada das relações entre os países “sem taxas abusivas” e chamou a conversa de “avanço concreto”.

“Um eventual acordo devolverá “previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras”, destacou presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade também deseja que as nações conversem sobre energia renovável, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia.


A ABIC (Associação Brasileira do Café) ressaltou que, mesmo com os novos desafios, o setor mantém posição sólida no mercado internacional. “Os últimos encontros entre os presidentes dos EUA e do Brasil têm sido mais positivos e estamos otimistas. As relações de longo prazo entre as nações permitirão uma reavaliação equilibrada e responsável dessas tarifas, com base em critérios técnicos e em benefício mútuo”, comentou o presidente da entidade, Pavel Cardoso.
 



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