Justiça Família de Juliane Duarte, de São Bernardo, espera que envolvidos sejam condenados; suspeitos também são investigados por ligação com PCC
André Henriques/DGABC

O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) marcou para quarta (29) e quinta-feiras (30) o júri popular dos três homens suspeitos de envolvimento no caso da policial militar Juliane dos Santos Duarte, moradora de São Bernardo, morta em 2018. Presos preventivamente, Felipe Oliveira da Silva, Felipe Carlos Santos de Macedo e Everaldo Severino da Silva Felix serão julgados no Fórum Criminal da Barra Funda, na Capital. Eles respondem por homicídio qualificado.
Os indivíduos são suspeitos de relação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que teria ordenado a execução da policial. Ela foi sequestrada em 1º de agosto de 2018, em um bar em Paraisópolis, na Zona Sul. “Minha irmã saiu do Grande ABC para visitar um casal de amigos que tinha acabado de ter um filho. Em determinado momento, acabou a bebida na comemoração e eles foram a um bar comprar mais”, relembra a pedagoga Fabiane dos Santos, 40 anos.
De acordo com testemunhas, a soldado, que estava à paisana, soube que uma pessoa tinha perdido o celular no bar. Ela, então, se identificou como agente de segurança, colocou a arma em uma mesa, e disse que ninguém sairia do espaço até que o aparelho fosse encontrado. Minutos depois, quatro criminosos encapuzados a abordaram.
O corpo dela foi localizado em 6 de agosto, no porta-malas de um veículo, no bairro Campo Grande, a oito quilômetros do último endereço onde foi vista. Juliane foi morta com três tiros. “Acreditamos que foi uma emboscada. Nossa família convive com o sentimento de insegurança e, ao longo dos anos, essa sensação de que estamos desprotegidos é cada vez maior”, diz Fabiane.
A irmã da soldado acredita que esta semana será decisiva para que os envolvidos sejam condenados pela morte da policial. “Vamos tentar fazer justiça com essas três pessoas que estão presas, mas acreditamos que existem outros envolvidos. Caso eles sejam penalizados, já é uma grande vitória. Esperamos por esse momento há sete anos.”
Enquanto o Código Penal prevê reclusão de 6 a 20 anos para homicídio simples, os réus podem pegar de 12 a 30 anos em razão de homicídio qualificado contra agentes de segurança.
Em 2018, Juliane estava como concursada na polícia há dois anos. Ela atuou como GCM (Guarda Civil Metropolitana) na Capital e sonhava em trabalhar na Polícia Federal. A brutalidade do crime teve repercussão tanto na Capital quanto no Grande ABC. O rosto da soldado foi eternizado em 2021, em um mural da EE (Escola Estadual) Jorge Rahme, no Jardim Taboão, em São Bernardo, onde ela estudou. O painel foi feito pelo artista Anderson Araújo, conhecido como Anderson Grafite.
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