Criadouros De janeiro a setembro, foram comercializados 331 bichos silvestres em dois criadouros; biólogo alerta sobre os cuidados e posse ilegal
Henrique Cotes exibe Elessar e Bjorn, jiboias amazônicas de 1,60m e 2,20m - Foto: CelsoLuiz/DGABC

A procura por animais silvestres na região cresceu 158% em um ano, segundo dados da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) do Estado. De janeiro a setembro deste ano, os dois criadouros localizados no Grande ABC comercializaram 331 bichos exóticos, enquanto no mesmo período de 2024 foram 128.
No total, de 2018 até o mês passado, foram 2.581 animais vendidos. Um dos dois criadouros da região está localizado em Santo André, especializado em psitacídeos exóticos, como araras e papagaios. O outro fica em São Bernardo, voltado para passeriformes nativos, como canários e pardais.
A Semil reforça que a compra deve ocorrer apenas em estabelecimentos autorizados, garantindo origem legal, bem-estar e conservação das espécies. Ainda assim, muitos tutores adquirem animais de criadouros legalizados de outros Estados, principalmente do Nordeste.
É o caso do biólogo Henrique Cotes, 32 anos, morador de Santo André, que compartilha a casa com sete animais não convencionais. Entre eles, jiboias amazônicas, uma cobra de leite, um dragão-barbudo (lagarto), uma lagartixa-leopardo, um loris dusky (espécie de papagaio da família Psittaculidae) e um corujão-orelhudo.
Cotes explica que o interesse pelos animais começou ainda na infância, mas ganhou força em 2013, quando teve contato com o primeiro bicho exótico. “Cada espécie exige um cuidado diferente. A maioria não é brasileira, então o terrário precisa reproduzir o habitat natural ao máximo, com controle de umidade, aquecimento e iluminação adequados”, detalha.
O biólogo garante que todos os animais são legalizados, comprados de criadouros registrados e acompanhados de nota fiscal, certificado de origem e microchip de identificação. Mesmo assim, ele reforça que a criação exige preparo e conhecimento. “Antes de ter um animal desses é importante fazer um curso de manejo para entender as necessidades da espécie. Um erro de temperatura ou alimentação pode causar doenças graves”, alerta.
Os custos também pesam. Segundo Cotes, o investimento inicial, que inclui o terrário e equipamentos, pode ultrapassar R$ 5.000, dependendo da espécie. Hoje, o custo dos animais pode variar de R$ 1.000 a R$ 40 mil, além de despesas mensais de R$ 250 a R$ 300 por animal”, diz.
A rotina de cuidados inclui acompanhamento veterinário semestral, exames e atenção constante às condições do ambiente. “Esses animais vivem muitos anos, alguns passam dos 25. É um compromisso longo, que precisa de responsabilidade e preparo”, completa o biólogo.
O veterinário especializado em animais silvestres Celso Gatti recomenda que, antes de adquirir um animal exótico, a pessoa consulte um médico veterinário especializado para se informar sobre o manejo adequado e verificar se a espécie se adapta à sua rotina.
A posse de animais exóticos não legalizados pode resultar na apreensão da espécie pelos órgãos responsáveis e gerar uma multa que varia de R$ 500 a R$ 5.000, dependendo da quantidade de animais em cativeiro.
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