Outra visão Oito a cada 10 jovens acreditam que terão padrão de vida superior ao de seus pais, segundo pesquisa realizada por um grande banco
Planejamento é sinônimo de liberdade para Vitor Belini - Foto: Celso Luiz/DGABC

Guardar dinheiro, investir e pensar no futuro. Essa é a rotina de jovens como Vitor Ribeiro Belini, 21 anos, vendedor de São Caetano, e Jonatha Vicenzi, 17, estudante de São Bernardo. Ambos fazem parte de uma geração que enxerga o dinheiro não apenas como meio de sobrevivência, mas como ferramenta para conquistar autonomia e prosperidade.
'Aprendi desde cedo a cuidar das minhas finanças. Guardei metade do meu salário por meses até conseguir comprar meu carro, e agora já penso em casamento e casa própria”, conta Belini. Para ele, planejamento é sinônimo de liberdade. “O conhecimento financeiro me dá tranquilidade para escolher o que é prioridade.”
Vicenzi segue caminho parecido. “Sou muito ‘cabeça’ com dinheiro. Sempre penso se vale a pena gastar agora ou esperar. Uso o cofrinho digital do banco e quero investir em um apartamento na planta”, diz. Ele acredita que saber lidar com o próprio dinheiro “é fundamental – o que pode ser pouco vira muito com a pessoa certa no comando”.
Essas histórias refletem um movimento nacional de transformação na relação dos brasileiros com o dinheiro. De acordo com a pesquisa Consciência e prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro, realizada pelo Itaú Unibanco em parceria com o Grupo Consumoteca, o País vive uma virada geracional e cultural. O estudo, feito com 5.000 pessoas em 15 Estados, aponta que o desejo por estabilidade deu lugar à busca por prosperidade, autonomia e bem-estar financeiro.
Entre os jovens da Geração Z (era da internet), oito em cada dez acreditam que terão um padrão de vida superior ao de seus pais – um contraste com as gerações anteriores, que priorizavam apenas segurança em meio a cenários mais instáveis. O levantamento mostra ainda que 83% dos brasileiros buscam novas formas de lidar com as finanças, com foco em diversificação, investimento e educação financeira.
Entre os principais objetivos estão investir para gerar renda passiva (49%), empreender (45%) e investir em capacitação e cursos (41%).
Para o antropólogo Michel Alcoforado, sócio-fundador do Grupo Consumoteca, essa mudança traduz transformações sociais profundas. “O dinheiro deixou de ser apenas um instrumento de sobrevivência para se tornar um marcador de identidade, valores e aspirações”, afirma.
No mesmo sentido, o diretor de Estratégia e Ciclo de Vida do Cliente do Itaú Unibanco, João Araújo, destaca que o papel do banco é apoiar essa nova mentalidade. “Queremos transformar o dinheiro em diálogo, não em tensão. O bem-estar financeiro significa autonomia para tomar decisões conscientes e construir qualidade de vida no presente e no futuro”, diz.
Mais do que um movimento geracional, a pesquisa mostra uma virada cultural: 78% dos brasileiros afirmam não ter mais desconforto em falar sobre dinheiro. Uma mudança que coloca os jovens – como Belini e Vicenzi – na linha de frente de uma nova era financeira, em que prosperar significa planejar, aprender e fazer o dinheiro trabalhar a favor dos sonhos.
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