Representatividade Matheus Aragão e Fabricio Souza (Fabron) expõem na ‘Comic Con da Favela’, que ocorre neste fim de semana
Arquivo pessoal

Dois artistas do Grande ABC estão entre os expositores confirmados no Beco dos Artistas da 5ª edição da PerifaCon, evento que é realizado neste fim de semana (25 e 26) na Fábrica de Cultura Jardim São Luís, na Zona Sul de São Paulo. Conhecida como a ‘Comic Con da Favela’, a convenção chega ao quinto ano com a proposta de democratizar o acesso à cultura nerd, geek e pop nas periferias.
O Beco dos Artistas, um dos espaços mais tradicionais do evento, reúne 170 nomes de todo o País, entre ilustradores, quadrinistas e designers gráficos. Entre eles, estão o artista visual Matheus Aragão, 37 anos, morador do bairro Alves Dias, em São Bernardo, e o publicitário Fabricio Souza, 21, conhecido como Fabron, do bairro Casa Grande, em Diadema.
Matheus, que começou a desenhar ainda na infância, viu na arte uma forma de superar uma trajetória marcada por dificuldades familiares. “O desenho era meu refúgio. Me desligava do mundo externo e me conectava com um universo só meu”, conta.
Durante a pandemia, ele retomou os desenhos e encontrou no realismo o estilo que o levou a mudar de vida. “Abandonei meu emprego de dez anos como gerente de restaurante para viver da arte. Foi uma loucura de amor, mas tudo deu certo”, afirma.
O artista, que participa pela primeira vez como expositor, acredita que a PerifaCon é um espaço fundamental para quem vem das favelas. “Não tem como falar de cultura sem falar das quebradas. É a periferia que cria e consome arte. A PerifaCon é uma virada de chave, porque leva cultura para quem não tem acesso e visibilidade.”
Já Fabron também faz sua estreia, após ter participado do evento como visitante na edição 2024, realizada na Fábrica de Cultura de Diadema. Influenciado pelo hip-hop e pelo basquete, ele usa suas ilustrações para representar a cultura das periferias. “Moro em um lugar onde o basquete e o rap sempre estiveram presentes. Desenho o que eu gostaria de ver, algo que me representa”, diz.
Para ele, ser um artista periférico ainda é um desafio. “É muito difícil viver de arte quando se vem da periferia, porque as oportunidades demoram a chegar. Falta visibilidade e acesso. Mas é uma expressão que vale a pena, porque fala sobre nós e sobre quem está à margem”, afirma.
Cursando Publicidade e Propaganda, Fabron concilia os estudos e o trabalho com a produção artística. “Crio porque gosto. Não vejo como obrigação, mas como algo que me faz bem.” Ele também deixa um conselho aos jovens que sonham em viver da arte. “Persistam. Sigam seus sonhos. Exponham, mostrem o que fazem. Sempre vai ter alguém vendo, e vai valer a pena no fim.”
A edição da PerifaCon 2025 contará ainda com mais de 50 painéis e mesas de bate-papo, incluindo um destaque para o painel sobre a série Vermelho Sangue, estrelada pela atriz andreense Alanis Guillen.
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