Dinheiro Filha de Fernanda Montenegro, 96, e Fernando Torres (1927–2008), ela também relatou como a relação dos pais com o dinheiro foi marcada por endividamentos e incertezas
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A atriz Fernanda Torres, 60, compartilhou seu pior erro financeiro já feito em um painel sobre finanças promovido pelo Itaú no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), do qual o Diário participou. Filha de Fernanda Montenegro, 96, e Fernando Torres (1927–2008), ela também relatou como a relação dos pais com o dinheiro foi marcada por endividamentos e incertezas
Fernanda contou que o primeiro impulso financeiro sério veio ainda na adolescência: “Primeiro eu tinha uma loucura de sair de casa. Atriz, você começa cedo a ganhar dinheiro”. Com isso, ela adquiriu seu primeiro imóvel: “Comprei um apartamentinho de um quarto e sala, virado para um buraco, mas era o meu lugar. Nunca fui pra lá porque era inabitável, mas era o que eu conseguia. Eu tinha uns 17 anos, trabalhava desde os 13, então fui juntando dinheiro”. Segundo ela, sua mãe, Fernanda Montenegro, na época, a encarou chocada com a declaração. Apesar da conquista, Fernanda não esconde que também cometeu erros: “O maior erro que eu fiz também é ligado ao imóvel. Fiz um comercial e, depois do contrato, ganhei uma multa. E, na época, eu não tinha dinheiro para comprar um lugar decente. Aí um namorado falou: ‘Compra um terreno e constrói a casa’. Comprei o terreno e depois construí um quarto-sala, virado errado, para o sol. Um amigo foi ver e falou: ‘Nossa, você é individualista, porque é um quarto-sala, mas não tinha para onde crescer’. Aquilo virou um inferno.” “Quando veio essa multa que eu ganhei, porque o lugar não tinha nem onde lavar uma calcinha, construí com aquele dinheiro uma área de serviço. Em seguida, abandonei aquele lugar." Bem humorada, ela continuou a história: "Era um sonho de morar na floresta… mas eu descobri que é um horror. Quando ia dando o fim da tarde, a luz acabava, as cigarras faziam um barulho, e eu ficava deprimida. Aí pegava o carro e ia num shopping só para ver gente [risos]." Por fim, a atriz concluiu: "Então, acho que foi o pior e o melhor investimento tudo junto: imóvel." Para quem cresceu em um país marcado por planos econômicos fracassados, hiperinflação e instabilidade, o dinheiro ainda é sinônimo de apreensão. Se os jovens de hoje associam prosperidade a planejamento e autonomia, parte das gerações anteriores ainda carrega a desconfiança de que a estabilidade pode ruir a qualquer momento. Fernanda Torres expôs com franqueza essa herança emocional. “Sou filha de pais que viveram a vida inteira endividados para fazer teatro. Quando eles começaram a se estabilizar, minha mãe acordava todos os dias dizendo: ‘Isso não é real’. Cresci ouvindo que estávamos à beira da ruína”, contou. A atriz relembrou que, mesmo após o sucesso da família nos anos 70, o medo da perda permaneceu. Ela contextualizou essa desconfiança como reflexo direto dos choques econômicos brasileiros. “Sou da geração que sofreu com o assassinato de moedas em massa — cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado, cruzado novo. A cada plano, o dinheiro sumia. É muito difícil acreditar que o que você guardou vai realmente te dar segurança no futuro.” Ela vê com bons olhos o avanço das ferramentas que democratizam a educação financeira, antes restritas às classes mais altas. “A combinação de tecnologia com assessoria humana, como os aplicativos que ajudam a planejar e investir, representa um avanço enorme. Isso dá acesso a um tipo de acompanhamento que antes só existia para quem tinha muito dinheiro.” A advogada e apresentadora Gabriela Prioli, 39, também revelou como experiências traumáticas moldaram seu olhar sobre o dinheiro. “Meu pai morreu quando eu tinha seis anos, e minha mãe ficou viúva aos 32, precisando trabalhar o dia inteiro para nos sustentar. Mesmo hoje, tendo mais dinheiro do que imaginei que teria, ainda me desespero com a ideia de perder tudo”, disse. Para Gabriela, a instabilidade financeira da infância gerou uma ansiedade difícil de romper: “Acho que, para quem viveu a escassez, o medo nunca desaparece. O dinheiro traz liberdade, mas também o peso da lembrança de quando ele faltou.”
Relação com o dinheiro
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