Setecidades Titulo Artigo

Doença cardiovascular na mulher

Antonio Carlos Palandri Chagas
22/10/2025 | 09:06
Compartilhar notícia
FOTO: Reprodução/Internet
FOTO: Reprodução/Internet Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As DCVs (Doenças Cardiovasculares) são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, superando inclusive os cânceres ginecológicos. Em 2021, mais de 176 mil mulheres morreram por DCV no Brasil, resultando em maior mortalidade proporcional que nos homens (22,21% vs. 19,78%). Infarto agudo do miocárdio e AVC (Acidente Vascular Cerebral) são as principais causas desses óbitos.

Apesar da alta prevalência, as DCV nas mulheres são sub-reconhecidas e sub-tratadas. Isso se deve a diferenças na origem, evolução e, principalmente, na apresentação dos sintomas, que podem ser atípicos e distintos dos clássicos observados em homens. Essa dificuldade gera subdiagnóstico e tratamento menos intensivo. A prevenção cardiológica ainda é, muitas vezes, negligenciada.

Os fatores de risco tradicionais afetam as mulheres de forma mais severa. A hipertensão (mais prevalente) acarreta risco três vezes maior de insuficiência cardíaca (duas vezes nos homens). O diabetes aumenta o risco de doença isquêmica do coração em até 3 a 7 vezes mais, comparado a 2-3 vezes nos homens. O tabagismo é o fator de risco mais potente para insuficiência cardíaca na mulher e acarreta risco 25% maior de doença arterial coronariana, e a obesidade é o fator de risco mais potente para doença arterial coronariana em mulheres. Fatores inerentes ao sexo feminino também aumentam o risco, incluindo menopausa precoce, eventos adversos na gravidez (pré-eclâmpsia e diabetes gestacional), síndrome dos ovários policísticos, doenças autoimunes, estresse e violência doméstica.

DGABC

A menopausa é um momento crítico. A queda do estrogênio, hormônio que atua como protetor cardiovascular, remove essa defesa natural. Após essa fase, aumenta-se a rigidez dos vasos, há um perfil lipídico desfavorável e a resistência à insulina se torna mais comum. O risco de infarto e AVC aumenta consideravelmente, especialmente em mulheres no climatério e pós-menopausa.

A baixa adesão ao tratamento é um obstáculo. A solução reside em intensificar a conscientização e o autocuidado. Estratégias de prevenção primária e secundária são fundamentais. O Brasil avança com a Lei nº 14.320, que instituiu o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher (14 de maio), e com o apoio à Política Nacional de Prevenção das Doenças Cardiovasculares na Mulher (PL nº 1538/2025).

O combate a essa epidemia exige um olhar individualizado. Nesse sentido, é vital destacar iniciativas como o Ambulatório de Cardiologia da Mulher, inaugurado em novembro de 2024 pela Disciplina de Cardiologia do Centro Universitário FMABC. Com uma equipe multiprofissional, este ambulatório assegura atendimento longitudinal, inclusive apoiado por parcerias com o Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Mudar esse cenário sombrio da mortalidade nas mulheres por DCV é a prioridade número um.

Antonio Carlos Palandri Chagas é médico e professor titular da disciplina de Cardiologia do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;