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Polícia expõe mentira em depoimento de sócio do Villa Jardim

Delegado revela que donos assumiram compra de bebidas sem nota fiscal durante oitiva; versão apresentada à Comissão do Metanol é contraditória

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
22/10/2025 | 08:34
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FOTO: Divulgação/PMSBC
FOTO: Divulgação/PMSBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O delegado Ettore Capalbo Sobrinho, titular da Dicma (Delegacia de Investigação de Infrações e Crimes contra o Meio Ambiente), afirmou que um dos sócios do Villa Jardim Bar, em São Bernardo, mentiu à Comissão do Metanol sobre a origem das bebidas vendidas no local. Segundo o delegado, os proprietários reconheceram em depoimento à Polícia Civil que compravam bebidas sem nota fiscal de uma distribuidora na Capital, desde a abertura do bar, em dezembro de 2024.

“A versão apresentada à Câmara é uma mentira absoluta. Eles disseram à polícia que nunca pediram nota fiscal e só solicitaram a primeira depois da morte da Bruna, quando o caso veio a público”, afirmou o delegado ao Diário. A autoridade policial da Dicma de São Bernardo foi ouvida ontem pela Comissão, na qual revelou as informações para os parlamentares.

O depoimento do empresário Plínio do Nascimento da Costa, 38 anos, foi realizado no dia 10 de outubro, três dias antes de comparecer à Câmara Municipal e afirmar, diante dos vereadores, que todas as bebidas comercializadas eram adquiridas de forma regular, com documentação fiscal.

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De acordo com o delegado, os sócios relataram que o Villa Jardim movimentava cerca de R$ 2 milhões por mês, com despesas médias de R$ 240 mil mensais em bebidas compradas sem nota fiscal. 

As apurações indicam que o grupo mantinha relação comercial direta com a distribuidora interditada pela Vigilância Sanitária da Capital, de onde vinham as bebidas supostamente contaminadas com metanol.

“É um caso que vai além da procedência dos produtos. Estamos apurando também indícios de crimes contra a ordem tributária e possível associação criminosa, mas tudo está em fase de investigação”, explicou o delegado.

O Villa Jardim, localizado no bairro Taboão, foi um dos quatro bares interditados em São Bernardo durante a operação conjunta das vigilâncias sanitárias municipal e estadual, deflagrada no início do mês. As ações ocorreram em meio à morte de Bruna Araújo de Souza, 30, confirmada como única vítima fatal de intoxicação por metanol no município. Segundo as investigações, ela teria consumido bebida alcoólica no Villa Jardim, no dia seguinte apresentou sintomas e, após uma semana internada em estado grave, teve morte cerebral confirmada.

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PEDIDO DE COMISSÃO 

A revelação feita por Capalbo motivou a Comissão do Metanol, da Câmara de São Bernardo, a aprovar nesta terça-feira (21) indicação ao prefeito Marcelo Lima (Podemos) para que o Villa Jardim permaneça interditado até o fim das investigações. O colegiado também solicitou que a Prefeitura reforce as ações de fiscalização de bares, distribuidoras e depósitos na cidade.

“O que cabe a nós é defender a saúde pública, defender o bom comerciante, o bom empresário, aquele que trabalha na lei. Esse é um dos propósitos da Comissão, e impedir que o Villa Jardim volte a funcionar, até porque ele próprio disse em depoimento ao delegado que nunca comprou com nota fiscal. Quer dizer, isso é um crime financeiro e, também, contra a saúde pública”, afirmou o vereador Julinho Fuzari (Cidadania), autor do requerimento que criou a comissão parlamentar.

Procurado, o Villa Jardim não respondeu até o fechamento desta edição.




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