Baixo nível Mananciais Cantareira, Rio Claro e Alto do Tietê se encontram, respectivamente, com 25%, 24,3% e 23,3%, do volume disponível
FOTO: Agência Brasil

O volume de três reservatórios que abastecem o Grande ABC está se aproximando da faixa especial, nível mais baixo e crítico estipulado pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). De acordo com dados de ontem do Painel dos Mananciais, da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), as represas Cantareira, Rio Claro e Alto do Tietê se encontram, respectivamente, com 25%, 24,3% e 23,3% da capacidade total.
Atualmente, esses mananciais estão classificados na faixa quatro (restrição), que corresponde a volumes entre 20% e 30%. Segundo a ANA, o nível mais crítico é alcançado quando o volume fica abaixo de 20%, situação em que é determinado um limite de retirada de 15,5 metros cúbicos por segundo. Na fase atual, ainda é permitida a captação de até 23 metros cúbicos por segundo.
Além dos três principais reservatórios, a região também é abastecida pelo Rio Grande, localizado em São Bernardo. De acordo com o Painel dos Mananciais, o reservatório opera atualmente com 53,6% de sua capacidade, enquadrando-se na faixa dois, denominada atenção, que corresponde a volumes entre 40% e 60%.
Desde o dia 22 de setembro, a Sabesp ampliou a redução noturna da pressão da água. “Em cumprimento à deliberação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), a companhia ampliou em duas horas o período de redução noturna de pressão de água na Região Metropolitana de São Paulo. A medida passou a vigorar das 19h às 5h”, comunicou a empresa.
Ainda de acordo com a concessionária, entre os dias 8 e 14 de outubro, a medida economizou 4,9 bilhões de litros de água. “O resultado representa um aumento de 75% em relação à primeira semana da medida, no final de setembro, quando foram economizados 2,8 bilhões de litros”, concluiu a empresa.
Em relação ao dia 20 de outubro, os sistemas Cantareira e Alto Tietê apresentaram a pior marca dos últimos dez anos. Apesar de o Rio Grande estar no limite aceitável, o reservatório também passa pelo registro mais baixo em uma década.
Para a bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, as crises nas gestões são os principais fatores para o volume crítico. “Passamos por uma situação muito parecida em 2014 e 2015, e nada foi feito para que melhorasse a capacidade. Os mananciais foram constantemente atacados com supressão de vegetação para moradia e duplicação de estradas. Se não temos árvores, não tem produção de água”, afirmou a especialista.
Marta ainda ressaltou que a falta de chuvas também prejudica o volume, mas se não houver investimentos, a situação pode piorar ainda mais. “Se adentrarmos na faixa de 20%, vamos entrar no volume morto, que o fundo do reservatório fica totalmente comprometido. É necessário entender que se não tivermos uma questão de proteção desses mananciais, a crise vai piorar”, disse.
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