Estrela Campeão mundial, que treina em S.Caetano, fez fiado para manter dieta no início da carreira
FOTO: Reprodução/Instagram

Aos 30 anos, Ramon Queiroz, o Ramon Dino, alcançou um feito inédito: se tornou o primeiro brasileiro campeão da categoria Classic Physique do Mr. Olympia, o principal torneio do fisiculturismo mundial. A conquista, há pouco mais de uma semana, em Las Vegas, coroou uma trajetória que começou longe dos grandes centros esportivos ou até mesmo de São Caetano, onde o atleta vive e treina, mas sim na periferia de Rio Branco, no Acre.
Filho de Lucivânia Rocha e Hamilton Queiroz, Ramon cresceu em uma área simples de igarapé na capital acreana, onde a casa da família, que contava também com os irmãos Radamés e Ramsés, alagava nas épocas de chuva. O atleta conheceu a musculação na adolescência, mas precisou interromper os treinamentos por falta de condições para arcar com as mensalidades.
“No começo, era difícil. Eu precisava pegar arroz e ovo fiado para seguir a dieta. Inclusive, preciso voltar para pagar minha dívida”, brinca o atleta.
Sem recursos para pagar academia, o jovem passou a treinar em praças públicas da cidade e foi descoberto pelo ex-fisiculturista Márcio Garcia, que o levou para competir pela primeira vez, em 2016, quando venceu o torneio estadual de Rondônia.
Já em 2018, conquistou o cartão profissional, que permite participar das principais competições do fisiculturismo, ao vencer o Mr. Olympia Brasil, e começou a ganhar espaço no cenário nacional. À época, Dino morou por meses em São Paulo, mas precisou voltar ao Acre. “Quase não havia apoio, o fisiculturismo é um esporte muito nichado. Era caro manter a dieta e a suplementação. Hoje, claro que as preparações são difíceis, tenho que abdicar de muita coisa, mas não se compara ao meu começo”, comenta.
A virada de chave ocorreu em 2020, durante a pandemia. Ramon recebeu o convite do influenciador Toguro para treinar em São Paulo, na Mansão Maromba. Lá, ganhou visibilidade, conheceu Vitória Viana, hoje sua esposa e mãe de seus dois filhos, e passou a dedicar-se integralmente ao esporte. Logo depois, sob o comando do empresário e treinador Renato Cariani, estreou em competições internacionais.
Em sua primeira participação no Mr. Olympia, em 2021, ficou no surpreendente quinto lugar. Nas duas edições seguintes, foi vice-campeão, atrás do canadense Chris Bumstead, conhecido como CBum, o maior campeão do torneio, com seis títulos.
Já em 2024, com expectativas maiores, Dino suou em sua apresentação, o que prejudicou a avaliação dos juízes e o deixou apenas com o quarto lugar. Após o fato, ele reformulou sua equipe e passou a trabalhar com o técnico Fabrício Pacholok. A nova preparação, que o deixou afastado de qualquer outra competição, culminou na vitória histórica em 2025. “Não existe segredo, o ponto principal foi a constância e a união da equipe. Isso, sim, fez a diferença”, afirmou o fisiculturista.
O campeão ainda busca assimilar a façanha. “É difícil acreditar. Fiquei desapontado com o desempenho ruim que tive em 2024 (no Mr. Olympia). Tudo isso me afetou psicologicamente, mas conseguimos nos concentrar totalmente durante a preparação, no fim deu tudo certo”, destacou o atleta do Grande ABC.
O acreano, que agora representa São Caetano, já traça planos. Segundo ele, a meta é manter o título mundial por mais cinco anos, antes de mudar de categoria e pensar no pós-carreira.
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