Reparação Militante e um dos fundadores do Sindicato dos Metalúrgico de São Bernardo e Diadema, Devanir José de Carvalho foi morto em abril de 1971
FOTO: Arquivo pessoal

O cantor e apresentador de TV Ernesto José de Carvalho, o Don Ernesto, recebeu, no início do mês, a certidão de óbito retificada de seu pai, o líder sindical Devanir José de Carvalho, morto durante a ditadura militar (1964–1985), em uma iniciativa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Os pais e tios de Don Ernesto foram perseguidos na época do regime militar. Seu pai foi militante e um dos fundadores do Sindicato dos Me-talúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, bem como do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes). Foi baleado em 5 de abril de 1971 durante uma encruzilhada policial e, segundo depoimentos de companheiros à Comissão Especial, levado ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, onde foi torturado até a morte.
Don Ernesto, que viveu quase dez anos no exílio, só retornando ao Brasil na anistia, conta que sua mãe, Pedrina José de Carvalho, que mora em São Bernardo, também foi presa. Já seus tios, Joel José e Daniel, estão entre os desaparecidos na ditadura militar.
“A versão oficial é que meu pai foi morto em confronto. Já meus tios Joel e Daniel, esses sim, são desaparecidos. Estávamos na Argentina quando eles sumiram”, afirma.
O apresentador destaca que sua história de vida pessoal é muito forte em relação à perda dos familiares. Porém, por outro lado, afirma que do ponto de vista político é muito bonita, de resistência à ditadura.
“Foi um momento muito complicado no País e graças a Deus eles fizeram parte dos que não se conformaram com as atrocidades do regime. É uma história de tristeza do ponto de vista pessoal, mas do político, sinto muito orgulho por fazer parte de uma família de revolucionários”, ressalta.
Sobre hoje a extrema direita fazer analogia dos atos de 8 de janeiro de 2023 à ditadura militar para pedir anistia aos envolvidos e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela tentativa de golpe de estado, Don Ernesto afirma que à época o governo era ilegítimo. “É completamente diferente da anistia de 1979. Portanto, é extremamente importante do ponto de vista político que as pessoas compreendam essa diferença.”
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