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Médico de Harvard propõe controle na utilização das telas pelas crianças

Pediatra afirma que pais devem monitorar, orientar e moderar a vida digital dos filhos para evitar a dependência

Nilton Valentim
18/10/2025 | 23:00
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 O uso excessivo de telas, principalmente pelas crianças, é um tema que preocupa pais, educadores e profissionais da saúde. Para o médico norte-americano Michael Rich, professor associado de pediatria da Harvard Medical School e fundador do Laboratório de Bem-Estar Digital e da Clínica para Transtornos de Mídia Interativa e Internet, do Boston Children’s Hospital, a questão não é o tempo exagerado à frente de aparelhos, mas sim a forma como eles são utilizados.

Propõe o controle e orientação como maneiras de equalizar o problema. Rich é autor de O Guia do Midiatra – Como Criar Crianças Saudáveis, Inteligentes e Respeitosas em um Mundo Saturado de Telas (Editora Artmed, 440 páginas, R$ 98).

“A questão é como, e não o quanto, estamos usando as telas. Elas são ferramentas poderosas e úteis quando usadas com atenção, mas quando as usamos de forma irrefletida, estamos substituindo o tempo que poderia ser utilizado para atividades mais saudáveis, como exercícios físicos, dever de casa, sono, refeições sem telas e momentos com outras pessoas, cara a cara”, afirma o médico, que concedeu entrevista exclusiva ao Diário.

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Sobre o uso de celulares por crianças, o médico destaca a necessidade de orientação quanto ao entendimento das redes sociais, descritas por ele como “algoritmicamente projetadas para capturar a atenção e mantê-la o maior tempo possível”, principalmente dos pequenos.

“O problema é que são telas às quais as crianças têm acesso 24 horas por dia, sete dias por semana. São as crianças com letramento digital e habilidades de pensamento crítico que têm menos problemas, pois sabem como usar as telas de forma intencional e focada, e depois as guardam, em vez de se perderem em uma rolagem infinita”, afirma.

Rich afirma que o crescente convívio com os eletrônicos já compromete o desenvolvimento infantil. “A rápida evolução da tecnologia em nossas vidas afetou crianças e famílias em todo o mundo de muitas maneiras. Crianças e adolescentes estão menos ativos fisicamente, menos curiosos e menos gentis”, afirma.

Alerta os pais a ficarem atentos ao comportamento dos filhos e recomenda que busquem ajuda profissional “quando a saúde física, social ou mental dessa criança é prejudicada pelo que ela está fazendo nas telas ou pelo que está deixando de fazer por estar nas telas”. O professor cita alguns sintomas desse transtorno.

“O mais comum é que elas sofram de privação e distúrbios do sono porque têm telas com eles à noite. O desempenho escolar é prejudicado porque preferem telas ao dever de casa. Se afastam da família e dos amigos em favor de seus amigos e atividades on-line”, aponta.


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CONTROLE

Como antídoto, Rich recomenda a adoção dos “Três Ms do bem-estar digital”, na qual os pais devem “Modelar o uso saudável e consciente de telas e o tempo intencional sem telas para as crianças. Mentorar as crianças no uso eficaz de cada novo dispositivo, aplicativo e plataforma e Monitorar suas vidas digitais, tendo seus nomes de usuário e senhas para que você possa ajudá-las e orientá-las, em vez de restringi-las e puni-las”.

Questionado sobre a possibilidade de os pais terem perdido o controle sobre o uso de aparelhos pelos filhos, a resposta é alarmante. “Os pais não perderam o controle sobre a tecnologia de seus filhos, eles o entregaram. Em sua maioria, os pais compraram os dispositivos para os filhos, pagaram pelo serviço de internet e os entregaram ao ecossistema digital, em vez de se envolverem com eles e os ‘criarem’ ativamente no espaço digital que eles habitam durante a maior parte de suas horas de vigília”, aponta.




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