Crescimento Foram sete dos 17 óbitos na região; no acumulado do ano, número aumentou 44%, de 66 para 95
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O Grande ABC registrou 17 mortes no trânsito em setembro, das quais sete (41%) envolveram motocicletas, ou seja, quatro a cada dez óbitos. Os dados são do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo).
O número é 75% maior que o computado no mesmo mês de 2024, quando quatro dos 13 óbitos tiveram a participação de motos. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, foram 95 mortes envolvendo motocicletas, de um total de 194 em 2025, contra 66 de 158 registradas no ano passado – crescimento de 44%.
Santo André foi a cidade com a maior quantidade de óbitos envolvendo motocicletas no mês passado. Foram três das cinco vítimas fatais. São Bernardo registrou oito mortes no total, sendo duas com a participação de motos, seguida de Mauá com duas mortes, uma de pedestre e outra envolvendo motocicleta. Em São Caetano, houve uma morte em acidente com moto e, em Diadema, um óbito de pedestre.
O professor da FECFAU-Unicamp (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas) Creso de Franco Peixoto acredita que a maior movimentação da economia impactou no aumento do fluxo no trânsito e, consequentemente, no número de acidentes.
“O aquecimento da economia nos últimos 60 dias e o aumento da empregabilidade gera um mercado maior para o motoboy. A alta mobilidade da motocicleta e sua capacidade de se deslocar em um ambiente de congestionamento fazem com que ela seja uma solução para pequenas entregas.”
O especialista destaca a cultura da disputa por agilidade como uma das causadoras de acidentes, especialmente com vítimas fatais. “O entregador se sente prestigiado quando falam para entregar rapidinho e ele cumpre. Na verdade, não é um prestígio, pois a vida dele e de outros estão sendo colocadas em risco.”
Creso de Franco pontua ainda que, somado a esses fatores, faltam políticas eficazes de prevenção de acidentes. “Precisamos de mais campanhas de educação e fiscalização do trânsito.
“Ações que levem os motoristas a sentir medo de serem flagrados cometendo uma infração. Hoje, eles têm a informação de onde os radares são instalados, o que dá uma certa liberdade ao motorista, que passa a saber que pode correr em outros trechos”, afirma.
PERFIL
Homens são as principais vítimas dos acidentes de trânsito. Em setembro de 2025, das 17 mortes, 82% foram de pessoas do sexo masculino. Este é um cenário que vem crescendo, pois, no mesmo mês de 2024, a região teve nove mortes de homens dos 13 registros, o que representa 70%.
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