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Incluir é também proteger quem ensina

Esther Cristina Pereira
16/10/2025 | 09:49
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A inclusão escolar é uma das maiores conquistas da educação brasileira. Ela afirma que toda criança tem direito de aprender junto com os outros, independentemente de suas diferenças. É um passo civilizatório que humaniza a escola e amplia o olhar sobre o que significa educar. Mas educar também é lidar com limites, e é nesse ponto que a inclusão precisa amadurecer.

O professor brasileiro sempre conviveu com a diversidade: crianças com ritmos diferentes, histórias complexas, deficiências e talentos singulares. Sempre foi assim. O que mudou é a forma como o sistema passou a lidar com essa realidade: trocou o mérito pela culpa, e o desafio pela exaustão.

Incluir não é fazer de conta que todos aprendem da mesma forma. Incluir é reconhecer que há diferenças, e que o papel do professor é ajudar cada estudante a avançar, dentro das possibilidades de cada um.

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Quando transformamos o educador em herói infalível, ou em culpado por tudo que não dá certo, deixamos de compreender a essência da inclusão: ela não é um decreto, é um caminho coletivo.

A verdadeira inclusão acontece quando todos – professores, famílias, gestores e governos – compartilham responsabilidades. Quando o foco deixa de ser o “direito de estar na escola” e passa a ser o direito de aprender de verdade. Porque estar incluído sem aprender não é inclusão: é omissão travestida de bondade.

Para que o aprendizado aconteça, é preciso existir um ambiente de aprendizagem saudável, e ele só é possível quando o professor tem condições reais de exercer seu papel.

Não há ambiente saudável quando a sala se transforma em um espaço de tutela permanente, com um ou mais adultos interferindo na condução do trabalho docente. Não há ambiente saudável quando a autoridade do professor é constantemente questionada.

E, sobretudo, não há ambiente saudável quando o professor é impedido de se envolver afetivamente com seus estudantes – porque é a partir do amor e da confiança que ele ensina seus pequenos humanos a voar.

O Instituto Destino Brasil defende uma inclusão que protege quem aprende, mas também quem ensina. Uma inclusão que reconhece o esforço diário dos professores e a complexidade do seu trabalho.

Uma inclusão que não nega os limites humanos –, mas os transforma em ponto de partida para a construção de novas possibilidades. Incluir, afinal, é acreditar no outro sem exigir o impossível. É equilibrar sonho e realidade, sensibilidade e razão, coração e método. E, acima de tudo, é entender que sem professores respeitados, a inclusão deixa de ser ponte e vira muro.

Esther Cristina Pereira é pedagoga, psicopedagoga, professora, diretora da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares) e diretora educacional do Instituto Destino Brasil.




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