Talento Espetáculo amanhã no Paulo Machado tem trio Miá Mello, Camila Raffanti e Juliana Araripe
FOTO: Divulgação

Criado e protagonizado por Camila Raffanti, Juliana Araripe e Miá Mello, – nomes ligados a sucessos como Mãe Fora da Caixa e Confissões das Mulheres de 30 –, o espetáculo Mulheres em Chamas, com direção de Paula Cohen, traz à cena um tema urgente e ainda pouco representado: a menopausa. Uma única sessão será realizada em São Caetano, às 21h desta sexta-feira (17) no Teatro Paulo Machado de Carvalho.
Três mulheres 40+ presas em um elevador. Dezessete minutos sem sinal, sem ventilação e sem filtro. Assim começa a montagem, que equilibra o riso com a vulnerabilidade para romper com o silêncio secular em torno da menopausa, muitas vezes vivida na solidão por gerações anteriores. Com humor, franqueza e sensibilidade, a peça quebra o silêncio sobre uma fase que atravessa a vida de todas as mulheres, mas que ainda é cercada de tabu e desinformação. “Queremos tirar o tema da invisibilidade e tratá-lo com leveza, informação e humor, sem abrir mão da honestidade emocional”, destaca Paula Cohen.
A encenação transita entre o realismo e a fantasia com liberdade estética. Os vídeos cênicos do estúdio Bijari e a paleta de cores vibrantes dialogam com os figurinos simbólicos criados por Iara Wisnik. Tudo se articula à luz poética de Marisa Bentivegna, compondo uma linguagem visual pop e afetiva que potencializa a experiência da dramaturgia em cena. A trilha original de André Caccia Bava sustenta e permeia a poesia entre a comédia e os temas mais sensíveis.
Durante o confinamento forçado dentro de um elevador, as personagens compartilham angústias, memórias e delírios, atravessadas por mudanças do corpo, pressão social e medo de perder o desejo. “O elevador simboliza essa paralisia do climatério, que nos arrebata de repente. Mas, aos poucos, nos libertamos – e, quando as portas se abrem, estamos mais conscientes”, comenta Camila Raffanti.
O texto mistura realidade e ficção para retratar com humor o turbilhão interno da menopausa. “Tudo que é pessoal aproxima. O humor transforma tragédia em evolução. Existe o mundo real e o mundo hormonal – e conseguimos brincar com os dois”, diz Juliana Araripe. “Estamos fazendo check-in na senhora que queremos ser. E são as amigas que nos ajudam a atravessar essa fase sem achar que enlouquecemos de vez. Só um pouco”, brinca.
Miá Mello revela que a motivação surgiu da própria experiência. “Achei que fosse jet lag (mudança brusca que pode pegar o metabolismo da pessoa de surpresa), mas eram os primeiros sintomas. Falar disso no teatro é oferecer ferramentas para atravessar esse período, que pode durar até dez anos e ter mais de 70 sintomas”, afirma. Camila reforça: “Meu climatério começou aos 39. Rir disso é alívio – e quero que os homens riam com a gente também.”
A encenação transita entre o cotidiano e o absurdo para dar conta desse rebuliço hormonal. “Trouxemos o dia a dia, o explosivo, o hormonal – e é aí que surgem os momentos mais surrealistas”, destaca Miá. Camila completa: “O que acontece dentro nem sempre combina com o que está fora. Às vezes, é tudo ao mesmo tempo – como na peça.”
Mulheres em Chamas é, acima de tudo, um espetáculo para todos: “As mulheres vão rir pela identificação, e os homens talvez entendam, pela primeira vez, o que se passa dentro da gente porque na peça mostramos a realidade e o outro mundo, o mundo hormonal que é bem surrealista. É para todas as idades – e principalmente para quem atravessa a menopausa. A gente precisa falar sobre isso”, diz Juliana Araripe.
Os ingressos estão à venda no site www.bilheteriaexpress.com.br, entre R$ 45 e R$ 120. O teatro fica na Alameda Conde de Porto Alegre, 840, no bairro Santa Maria.
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