Em São Caetano CPI da Dívida recebe parecer sobre quadro financeiro da gestão do ex-prefeito em 2024
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Vereadores de São Caetano receberam na noite de ontem, em reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, o relatório final da auditoria sobre as 14 mil páginas em torno das dívidas deixadas pelo ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSD), apresentando inconsistências no balancete financeiro do exercício 2024. Segundo pronunciamento da Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), o pessedista pode responder por improbidade administrativa.
Perante 19 dos 21 vereadores da Casa, coube a Edson Cozol, professor e representante da Fundace, apresentar o quadro financeiro herdado pelo governo do prefeito Tite Campanella (PL), que soma de R$ 1,15 bilhão em passivos, consolidados e restos a pagar, de herança deixada por Auricchio. Entre os números mais chamativos, destacam-se R$ 232,7 milhões em insuficiência financeira para quitar obrigações de curto prazo, até a data de 31 de dezembro de 2024.
A auditoria destacou também R$ 29,8 milhões em cancelamentos indevidos de despesas liquidadas, ou seja, empresas que prestaram serviço à Prefeitura de São Caetano, no dia 30 de dezembro de 2024, menos de 48 horas para a troca de chaves do Palácio da Cerâmica de José Auricchio para Tite Campanella.
O relatório também citou o artigo 42 da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que proíbe o gestor público de contrair obrigações financeiras nos últimos dois quadrimestres que não possam ser integralmente cumpridas no exercício, ou que reste parcela a ser paga no ano seguinte sem suficiente disponibilidade de caixa.
“Os achados afetam diretamente o artigo 42 da LRF, liquidez negativa consolidada, cancelamentos concentrados de liquidação, despesas de 2024 pagas com empenho de 2025, restos a pagar sem empenho, distorção entre saldos bancários contabilizados e efetivamente disponível, risco de parecer desfavorável do TCE (Tribunal de Contas do Estado)(O gestor) pode responder por ato de improbidade (administrativa)”, citou Cozol.
Presidente da comissão, César Olivar (PSD) afirmou que irá se reunir com o relator Edison Parra (Podemos) e Marcel Munhoz (Progressistas), para definir os próximos passos. “Ficou evidente que houve manobras contábeis e manipulação de números para apresentar um quadro financeiro que desviava da realidade. Esse parecer vai instruir de forma técnica a entrega do relatório.”
Procurado, Auricchio não retornou à reportagem.
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