Política Titulo Sob investigação

‘Meu passado é limpo e nunca me escondi’, diz Ary de Oliveira

Investigado por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção, parlamentar retoma cadeira no Legislativo de São Bernardo após 61 dias

Bruno Coelho
15/10/2025 | 12:09
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques/DGABC 29/3/23
 FOTO: André Henriques/DGABC 29/3/23 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em seu nono mandato como vereador de São Bernardo, Ary de Oliveira (PRTB) afirma que está tranquilo quanto aos desdobramentos das investigações das denúncias sobre suposto esquema de corrupção no Paço, que resultaram no seu afastamento do Legislativo por 61 dias. O parlamentar regressou ontem à vereança, por meio de habeas corpus concedido pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Reynaldo Soares da Fonseca, na sequência do retorno de Marcelo Lima (Podemos) ao cargo de prefeito na última sexta-feira.

“Tenho 37 anos (de Câmara) sem processo de improbidade administrativa. O STJ e o MPF (Ministério Público Federal) entenderam que não havia motivos para o afastamento sem resultado final da investigação. Não tenho nada de irregular, (os agentes da Polícia Federal) estiveram na minha casa e não encontraram nada. Levaram apenas o meu celular. Mas sigo tranquilo, porque não tenho contato com nenhuma empresa. Meu passado é limpo e nunca me escondi”, afirmou Ary de Oliveira ao Diário, após a sessão.

Vereador em atividade mais antigo no Parlamento, com início da série de mandatos em 1989, ao lado de Ana do Carmo (PT), Ary de Oliveira é um dos investigados por envolvimento em uma possível organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos e à lavagem de dinheiro em contratos celebrados no Paço de São Bernardo, envolvendo também agentes políticos, servidores públicos e empresários. Junto ao parlamentar foram afastados dos cargos eletivos, no dia 14 de agosto, Marcelo Lima e o presidente da Casa, Danilo Lima (Podemos), por determinação do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

DGABC

Com a decisão favorável de Brasília, o parlamentar já marcou presença na sessão de ontem, tendo o seu nome novamente registrado no painel do plenário Tereza Delta. Ao longo do dia, a conduta do vereador de 74 anos foi de discrição no Parlamento, sem uso da tribuna para se pronunciar sobre o caso que gerou repercussão nacional dois meses antes e girou de cabeça para baixo o cenário político da maior cidade do Grande ABC.

Segundo informações da defesa de Ary de Oliveira, liderada pela advogada Monica Maia Duarte Torres, o habeas corpus não se trata de um efeito extensivo do parecer favorável a Marcelo Lima, visto que o vereador já tinha recorrido antes para anular as medidas cautelares impostas pelo TJ-SP. Com a liminar, a Câmara de São Bernardo passa a ter 27 dos 28 vereadores eleitos em atividade. Entretanto, todos os citados pela Operação Estafeta, da Polícia Federal, seguem sob investigação.

DANILO LIMA

Por sua vez, o futuro de Danilo Lima está nas mãos de Reynaldo Soares da Fonseca no STJ, o mesmo ministro que permitiu anteriormente as decisões favoráveis a Marcelo Lima e Ary de Oliveira. O magistrado recebeu o parecer do MPF para realizar o seu despacho final quanto à liminar. Pelos corredores da Câmara, há expectativa de que brevemente o podemista retorne à Casa.

LEIA TAMBÉM 

Bares são liberados em São Bernardo, mas seguem proibidos de vender bebidas destiladas




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;