Economia Titulo Expectativa

Vendas de imóveis têm queda de 47% em agosto no Grande ABC

Por outro lado, locação apresenta alta de 80%; Selic e tarifaço de Trump justificam cenário

Beatriz Mirelle
15/10/2025 | 08:24
Compartilhar notícia
FOTO: Arquivo/DGABC
FOTO: Arquivo/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As vendas de casas e apartamentos no Grande ABC caíram 47,4% em agosto na comparação com o mês anterior. Em relação às locações, o índice teve alta de 79,7% no período. Os dados são do Crecisp (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo). Foram consultadas 113 imobiliárias em seis cidades da região – exceto Rio Grande da Serra. 

“Nós tivemos períodos difíceis por causa da Selic (em 15% ao ano) e a taxação do governo (norte) americano sobre produtos brasileiros. Esses dois contextos causaram instabilidades para o mercado imobiliário. A queda de movimento foi inevitável”, detalha o presidente do Crecisp, José Augusto Viana Neto. 

No acumulado de 2025, a evolução das vendas é de apenas 1,83%, já o crescimento das locações está em 109%. 

DGABC

“Não há vantagem nenhuma no aluguel. As pessoas acabam não tendo condições de fazer negócio e se veem obrigadas a migrar para essa opção. É um dinheiro que não retorna para você, diferente da prestação da casa própria, que, mesmo com a taxa de juros mais elevada, é um valor que a pessoa está capitalizando.”

O presidente estima que os números de comercialização vão se recuperar, mesmo que lentamente, até dezembro. Segundo ele, o grande problema do setor é o comprometimento da renda das famílias. 

“Quando a pessoa vai buscar financiamento imobiliário, não consegue aprovação porque o salário está preso com outras despesas. Normalmente são pessoas que têm renda entre R$ 5.000 e R$ 8.000 que migram para a locação de imóveis na faixa de R$ 1.000 a R$ 2.000”, comenta.

O levantamento aponta que a média de valores de imóveis comercializados na região é de R$ 300 mil a R$ 400 mil, sendo a maioria apartamentos (78%), com dois dormitórios e área útil de até 100 metros quadrados. Boa parte refere-se a propriedades situadas em áreas periféricas (53,2%). 

Quando se trata de aluguel, a população prefere casas (66%), com até três dormitórios e até 50 metros quadrados de área útil. A principal garantia locatícia escolhida é o seguro fiança, contrato com seguradora que garante o pagamento de aluguel e outros encargos (como IPTU) ao proprietário do imóvel, caso o inquilino vire inadimplente. 

Viana Neto avalia que o novo modelo de crédito imobiliário anunciado pelo governo federal na semana passada será capaz de ampliar o acesso da população à casa própria. A medida aumentou o valor máximo do imóvel financiado pelo SFH (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. O crédito poderá ser solicitado por famílias com renda bruta mensal de até R$ 9.600. 

“A iniciativa permite entrada de 20% e pagamento em até 35 anos, com taxa de juros que não pode ultrapassar 12% ao ano. Isso vai trazer uma nova realidade para o mercado”, explica.

LEIA TAMBÉM:

Mauá visa atrair investidores em Feira do Empreendedor do Sebrae




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;