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Remédios caseiros: o que é mito e o que realmente funciona

Especialista esclarece benefícios e explica quais os riscos do uso de chás, receitas populares e práticas naturais

14/10/2025 | 16:47
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FOTO: Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O uso de remédios caseiros faz parte da cultura brasileira e, em muitos lares, ainda é a primeira alternativa diante de sintomas leves de doenças virais. Chás, gargarejos e combinações naturais são frequentemente usados com a expectativa de aliviar dor, melhorar o sono ou tratar resfriados. No entanto, nem tudo o que tradicionalmente se acredita tem comprovação científica - em alguns casos, o consumo pode trazer riscos. 

Segundo pesquisa do Datafolha realizada em 2023 a pedido do Conselho Federal de Farmácia, 66% dos brasileiros recorrem à automedicação - muitas vezes associada ao uso de chás e práticas caseiras - antes de procurar atendimento profissional.

Para esclarecer o que funciona e o que é mito, o Dr. Thiago Piccirilo, médico da Rede de Hospitais São Camilo, comenta os principais exemplos e orienta sobre o uso seguro.

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Mitos e verdades mais comuns

1. Maracujá dá sono?

Mito.

Segundo o especialista, o efeito calmante está associado ao chá feito com as folhas do maracujá, e não à fruta consumida in natura. “Beber o suco de maracujá não provoca sonolência. O que tem leve ação sedativa é a passiflora presente nas folhas, utilizada em chás e fitoterápicos”, explica.

2. Chás para emagrecimento funcionam?

Mito -  em grande parte.

Chás de hibisco, verde ou sene são populares, mas não promovem emagrecimento significativo e podem causar efeitos colaterais. “Nenhum chá causa perda de peso sozinho. O risco está no consumo exagerado e na mistura com medicamentos, o que pode afetar fígado, rins ou intestino”, esclarece.

3. Erva-doce e camomila ajudam a acalmar?

Verdade - com ressalvas.

Essas plantas podem reduzir a tensão leve e melhorar a digestão, mas o efeito é limitado. “São opções seguras quando ingeridas com moderação, mas não substituem tratamento para ansiedade ou distúrbios do sono”, destaca.

4. Mel com limão cura gripe?

Mito.

A combinação pode aliviar irritação na garganta, mas não combate o vírus. “Alívio de sintomas não significa tratamento. O risco está em postergar a avaliação médica diante de febre alta ou piora respiratória”, explica o médico.

5. Gargarejo com água morna e sal ajuda na dor de garganta?

Parcialmente verdade.

A prática pode reduzir a inflamação leve, mas tem efeito limitado. “O gargarejo pode aliviar desconforto, mas não trata infecções bacterianas ou virais mais intensas”, ressalta.

6. Chá de boldo limpa o fígado?

Mito.

O boldo auxilia a digestão, mas não “desintoxica” o organismo. “O fígado não precisa de chá para funcionar. O perigo é acreditar que ele compensa excessos ou substitui tratamento de doenças hepáticas”, ressalta.

7. Compressa quente sempre melhora a dor muscular?

Depende.

Em casos de tensão ou rigidez, pode ajudar. Mas em inflamações agudas, pode piorar. “Antes de aplicar calor ou gelo, é importante entender a origem da dor”, complementa.

8. Chás para dormir funciona?

Parcialmente verdade.

Valeriana, maracujá (folha) e melissa têm efeito leve. “Eles podem auxiliar no relaxamento, mas não resolvem quadros de insônia crônica ou distúrbios do sono”, orienta o médico.

O uso de práticas naturais pode complementar os cuidados com a saúde, mas não substitui avaliação médica. Em quadros persistentes, automedicação e receitas populares podem atrasar diagnósticos e agravar sintomas. A recomendação é sempre buscar orientação profissional diante de dúvidas, sinais de alerta ou uso contínuo de qualquer substância - natural ou não.

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