Política Titulo Mais uma polêmica

Em São Caetano, vereador Getulinho insinua que servidor público não trabalha

‘Aqui não é funcionário público, não. Aqui comigo é trabalho’, afirma parlamentar após denúncia do Diário sobre uso indevido de gabinete

Bruno Coelho
14/10/2025 | 00:00
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Denis Maciel/DGABC e Reprodução/Instagram
Denis Maciel/DGABC e Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Depois de ser condenado em primeira instância por injúria a uma servidora em São Caetano, o vereador Getúlio de Carvalho Filho, o Getulinho (União Brasil), afirmou, nas redes sociais, que o funcionalismo público da cidade, de forma categórica e generalizada, não trabalha. A manifestação do parlamentar ocorreu após denúncia do Diário, na qual um ex-assessor o acusou de usar a estrutura da Câmara, paga pelo dinheiro do contribuinte, para interesses particulares. O sindicato da categoria demonstrou perplexidade perante a fala.

Conforme reportagem, Wilson Russo Piotto, contratado por Getulinho como assessor parlamentar, assegurou que o vereador usava o gabinete para tratar de processos fora do âmbito do Legislativo. Por sua vez, o parlamentar contra-atacou o ex-auxiliar, em tom provocativo: “Todos os meus assessores fazem relatório e cumprem horário, porque aqui é trabalho, querido. Aqui não é funcionário público, não. Aqui comigo é trabalho, e você não aguentou, não é, bebê?”.

Em nota, o Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos e Autárquicos) de São Caetano, presidido por Miguel Parente Dias, manifestou repúdio a Getulinho, por considerar tais palavras como injustas e desrespeitosas. “São os servidores públicos os verdadeiros responsáveis por elevar o nível de excelência dos serviços prestados à população, atuando com dedicação, comprometimento e amor pelo que fazem. Sem eles, não existiriam os serviços de qualidade que fazem aqui uma das melhores cidades para se viver”, ressaltou.

DGABC

O ato falho foi reconhecido pelo próprio vereador em uma transmissão ao vivo, seguida de retratação. “Peço perdão, que nos meus stories (do Instagram), falei que aqui não tem nenhum servidor público. Quero declarar o meu total respeito a todos os servidores públicos. O que quis dizer é que aqui não tem cargo político, aqui é trabalho”, afirmou. Procurado, o unionista não retornou ao Diário.

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HISTÓRICO POLÊMICO
O mandato de Getulinho no Parlamento ainda não completou um ano, mas já tem uma lista de polêmicas. O vereador foi condenado na 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude da cidade à pena de cinco anos de prisão, convertida em “prestação pecuniária com pagamento de cinco salários mínimos, além de 13 dias-multa” a título de reparação de danos à servidora Patrícia Carolina Casadei Arroio, que o atribuiu humilhação e ofensas à honra. O processo cabe recurso.

Em abril, o parlamentar se envolveu em confusão com o presidente da Casa, Carlos Humberto Seraphim, o Dr. Seraphim (PL), ao classificar o colega de plenário como “ditador”. O episódio envolveu o filho do chefe do Legislativo, Álvaro Moura Seraphim, ao defender o pai e, em seguida, xingar o unionista, que por sua vez deu voz de prisão. A confusão foi parar na Delegacia Sede da Polícia Civil.

Já Wilson Russo Piotto acusou Getulinho de assédio moral e uso indevido dos equipamentos públicos. “Além das atividades da legislatura que demandam as atribuições dos assessores, é fato que o vereador tem processos judiciais, como autor e réu. Inclusive, cheguei a auxiliá-lo nessas manifestações. E ele tem por hábito imprimir esses processos, no próprio gabinete, dentro e fora do expediente”, disse.




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