Depoimentos Proprietários do Boteco da Vila e do Villa Jardim Bar negam irregularidades, dizem colaborar com as investigações e apontam divergências nos depoimentos sobre o caso Bruna
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Os donos dos bares Boteco da Vila e Villa Jardim Bar, interditados cautelarmente durante as investigações sobre intoxicações por bebidas adulteradas com metanol em São Bernardo, foram ouvidos nesta segunda-feira (13) pela Comissão Especial instaurada na Câmara para apurar o caso, que já resultou em seis mortes no município. A reunião contou com a participação dos vereadores que compõem o colegiado, criado em 1º de outubro e também funcionários dos estabelecimentos.
O primeiro a falar foi John Cunha Vieira, 34 anos, proprietário do Boteco da Vila, localizado na Paulicéia. Ele afirmou que todos os produtos comercializados no estabelecimento são adquiridos com nota fiscal e rastreabilidade. “Trabalhamos com cinco fornecedores de destilados, todos com documentação e selo de controle. Cada garrafa tem um selo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e acompanhamos os lotes desde a origem”, declarou.
Plínio do Nascimento da Costa, 38, sócio do Villa Jardim Bar, no bairro Taboão, reconheceu que o bar comprava produtos de uma fábrica alvo da ação policial. Costa, porém, pontuou que sempre manteve documentação fiscal regular e colaborou com as autoridades. “Apresentamos todas as notas fiscais e aguardamos o laudo para esclarecer os fatos. Queremos a reabertura e estamos à disposição para qualquer esclarecimento”, afirmou.
Ao ser questionado sobre o caso da jovem Bruna Araújo de Souza, que morreu após suspostamente consumir bebida no Villa Jardim, Plínio afirmou confiar na Justiça e destacou haver divergências nos depoimentos colhidos pela polícia. “Há contradições nas falas, porque disseram que ela bebeu em outro lugar antes de chegar ao nosso bar. Naquele fim de semana, tivemos cerca de 4.500 pessoas e não houve outra ocorrência”, disse.
Durante a audiência, ambos os empresários relataram que estão atendendo às solicitações da Vigilância Sanitária e aguardam o resultado das análises laboratoriais para tentar reabrir os bares. John relatou que o Boteco da Vila permanece interditado, com garrafas lacradas e amostras já encaminhadas para exame. Ele afirmou que os vasilhames utilizados são inutilizados antes do descarte. “As garrafas são riscadas e descartadas separadamente, para evitar qualquer reaproveitamento indevido”, explicou.
Ambos os proprietários apoiaram a ideia de políticas de fiscalização mais rígidas e defenderam a união do setor para evitar novas ocorrências de adulteração de bebidas.
Autor da proposta que criou a Comissão Especial, o vereador e líder de governo Julinho Fuzari (Cidadania) destacou a importância das oitivas para esclarecer dúvidas e subsidiar o relatório final do colegiado. “Esse momento foi importante para entendermos melhor o que está acontecendo e para podermos propor leis que reforcem a fiscalização sobre bebidas e o descarte correto de garrafas. O problema das bebidas adulteradas não é exclusivo de São Bernardo; é nacional. Precisamos de legislações mais duras, tanto no âmbito estadual quanto federal”, afirmou.
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Distribuidora fechada fornece ao Villa
O sócio do Villa Jardim Bar, Plínio do Nascimento da Costa, 38 anos, confirmou que o estabelecimento adquiriu bebidas de uma distribuidora de São Bernardo investigada pela Polícia Civil, por suspeita de vender produtos adulterados com metanol. A declaração foi dada durante depoimento na Comissão Especial do Metanol, realizada na Câmara de São Bernardo nesta segunda-feira (13).
A distribuidora é alvo de operação conjunta da Dicma (Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Meio Ambiente) e do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania). A ação cumpriu mandados de busca e apreensão também em São Caetano e na Capital após a identificação de lotes contaminados.
Durante a sessão, Costa afirmou que o estabelecimento está colaborando com as autoridades. “A gente compra da distribuidora há bastante tempo. O bar tem oito meses, mas meus sócios já atuam no ramo há anos e sempre compraram desse fornecedor. Entregamos todas as notas fiscais e aguardamos os laudos para entender o que realmente aconteceu”, disse.
As falas ocorreram no contexto das investigações sobre as mortes por intoxicação com metanol em São Bernardo. Entre as vítimas está Bruna Araújo de Souza, 30, que, segundo relatos de amigos, teria consumido bebida no Villa Jardim antes de passar mal e morrer. Questionado pelos vereadores, Costa disse que há divergências nos depoimentos.
“Há contradições nas falas, porque disseram que ela bebeu em outro lugar antes de chegar ao nosso bar. Naquele fim de semana tivemos cerca de 4.500 pessoas e não houve outra ocorrência”, afirmou o sócio.
Bruna morreu na segunda-feira (6), após mais de uma semana internada no Hospital de Clínicas de São Bernardo, vítima de intoxicação por metanol. Segundo familiares, ela apresentava dores estomacais, vômitos, visão embaçada e dores de cabeça.
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