Cultura Artistas da região mostram realidade periférica e lutam por diversidade em versos falados
FOTO: Felipe Castelani/Divulgação

Quando o ponteiro indica o horário das 18h30 na Praça do Relógio, em Mauá, as ruas se enchem de versos e estrofes que declamam diversidade e resistência. Uma vez por mês (toda a 3ª quinta-feira), o Slam Grande ABC realiza batalhas de poesias faladas e reúne artistas em prol da cultura e luta periférica. Diferentemente dos duelos de rima, já estabelecidos na região, como a Batalha da Matrix, os poetas apresentam textos autorais sem o auxílio de batidas.
O Slam nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, nos anos 1980, como uma competição de poesia que aborda temas atuais e provoca reflexões no público. No Brasil, a modalidade só ganhou espaço a partir de 2008, trazida pela atriz, poetisa e diademense Roberta Estrela D’Alva.
A artista e organizadora da batalha mauaense, Mileny Leme, 23 anos, comentou que as poesias podem ser lidas, decoradas ou improvisadas, desde que sejam de autoria do competidor. A duração da apresentação é até três minutos, sem objetos cênicos ou batidas musicais. Além disso, os jurados são escolhidos aleatoriamente no público.
“Na pandemia da Covid-19, comecei a compartilhar meus textos na internet. Em 2022, foi minha primeira batalha na Capital. Com o movimento do Slam conseguimos acessar a politização de forma lúdica e com conhecimento. Conseguimos falar de sentimento, diversidade e sobre a realidade”, disse a poetisa.
De acordo com o estudante de serviço jurídico e também organizador do Slam Grande ABC, Murilo Henrique Pantaleão, 17, ou apenas Henri, o movimento é de pura resistência e luta. “A primeira batalha da região foi em Mauá, criada em fevereiro de 2024. É uma reunião de pessoas silenciadas. Na batalha, os participantes estão para falar e jogar tudo para fora. Todos estão lutando um pelo o outro e também pelo que carregam.”
Além do movimento de Mauá, o Grande ABC possui outras quatro competições da modalidade: Slam Fya em Santo André, no bairro Parque João Ramalho; Slam com X em São Bernardo, no Centro; Slam Central, em Diadema, na região central e Slam Fluxo Ubuntu, em Ribeirão Pires, no Centro Alto.
O publicitário e morador de Mauá, Jonathan Garcia, 28, com conhecido por Skynav, frequenta todas as organizações regionais. Para ele, cada competidor escolhe sua vertente para apresentar e tem um método de escrita. “Sou PcD (Pessoa com Deficiência) e tinha muita dificuldade de decorar, então penso a escrita por versos fechados. Cada poeta tem sua dinâmica”, reforçou.
ESTADUAL
O Slam SP reúne 65 competidores de todo o Estado. Na edição de 2025, realizada no final de outubro, cinco poetas do Grande ABC (todos de Mauá) estão classificados. Além de Henri Pantaleão, Mileny e Skynav, as artistas Ana Laura e Julia Mendes estarão representando a região na competição estadual.
A atual campeã do torneio é a Mileny, com a poesia chamada Faísca da Revolução . “Escrevo para abrir caminhos para quem vem depois de mim. Passo dançando na frente daqueles que querem meu fim. Da periferia, dos palcos, da sala de aula e para a nação, faço das minhas palavras fogo que queimem. Podem me chamar de Mileny, a faísca da revolução”, descreve trecho da poesia vencedora.
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