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São Paulo atualiza catálogo de aves e alerta para risco de extinção

Uma nova lista elaborada por pesquisadores da USP, Unesp e do Instituto de Pesquisas Ambientais catalogou 863 espécies de aves, divididas em 31 ordens e 93 famílias

11/10/2025 | 10:54
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FOTO: Divulgação | Luís Fábio Silveira
FOTO: Divulgação | Luís Fábio Silveira Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Estado de São Paulo acaba de ganhar um retrato completo da sua avifauna. Uma nova lista elaborada por pesquisadores da USP, Unesp e do Instituto de Pesquisas Ambientais catalogou 863 espécies de aves, divididas em 31 ordens e 93 famílias. O levantamento, publicado na revista Papéis Avulsos de Zoologia, mostra que São Paulo abriga até 40% das espécies brasileiras, mas também lidera um triste ranking: é o estado com maior número de aves extintas e ameaçadas de extinção.

De acordo com o estudo, 125 espécies estão ameaçadas e 20 já desapareceram regionalmente. A nova edição atualiza o catálogo anterior, de 2011, e inclui 76 novas espécies e subespécies, fruto de mais de uma década de revisões, cruzamentos de dados e consultas a coleções científicas e museus.

“Foi um pente-fino feito ao longo de anos para conferir todas as espécies e subespécies que ocorrem em São Paulo”, explica Stephanie Lee, mestranda do Instituto de Biociências da USP e primeira autora do artigo.

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Segundo ela, o trabalho segue o princípio de “conhecer para proteger”: quanto mais preciso o registro, mais eficiente é o planejamento de políticas de preservação e manejo ambiental. “Se a gente não sabe que determinada espécie ocorre aqui, como ela vai ser avaliada na lista de fauna ameaçada do Estado?”, completa.

Biodiversidade sob pressão

A riqueza natural paulista é fruto da variedade de ecossistemas, que vão do Cerrado à Mata Atlântica, passando por regiões de transição e áreas de várzea. Essa diversidade faz de São Paulo um dos estados mais ricos em aves do país — mas também um dos mais pressionados.

“São Paulo concentra quase metade das espécies de aves do Brasil, mas também o maior número de extintas e ameaçadas”, alerta Luís Fábio Silveira, curador da Seção de Aves do Museu de Zoologia da USP e coautor do estudo.

A degradação dos habitats é apontada como a principal causa da perda de biodiversidade. No caso do Cerrado paulista, restam apenas 3% de áreas naturais preservadas. “Muitos dos bichos ameaçados no Estado são justamente os que dependem desse ambiente”, reforça Lee.

Caça científica e registros históricos

Para montar o novo catálogo, os pesquisadores revisaram registros ornitológicos de diferentes fontes, inclusive exemplares coletados há mais de um século. Algumas das espécies extintas só têm peles preservadas no Museu de História Natural de Viena, coletadas pelo naturalista austríaco Johann Natterer no século 19.

As aves foram organizadas segundo metodologia do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, em três níveis de confiabilidade: primário, secundário e terciário — do mais ao menos confirmado.

Ciência a serviço da conservação

Além de registrar a diversidade de aves, o catálogo pretende ser base para novas políticas públicas e estudos ambientais. O trabalho reforça a urgência de atualização da lista de fauna ameaçada do Estado de São Paulo, vigente desde 2018, e que hoje está desatualizada. “Muitos dos animais classificados como criticamente ameaçados provavelmente já desapareceram”, observa Lee.

Para Silveira, a publicação é um marco: “Além de organizar o conhecimento sobre um grupo de animais tão simbólico, o estudo oferece um caminho sólido para ações de conservação no Estado”, conclui.

Com 863 espécies registradas — entre elas ícones como o tucano-toco, o sabiá-laranjeira e a jacutinga —, o novo catálogo mostra que São Paulo ainda é um dos grandes refúgios da avifauna brasileira. Mas também evidencia um desafio crescente: conciliar a riqueza natural com o avanço urbano e a preservação do que ainda resta.




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