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Romeiros da região encontram na fé o mapa até Aparecida

Grupos religiosos realizam peregrinações e atravessam o Estado a pé para novena do dia 12, em celebração à padroeira do Brasil

11/10/2025 | 09:11
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FOTO: Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Fé. Uma pequena palavra de apenas duas letras, mas que carrega um grande significado que rompe barreiras e supera obstáculos. E com essa premissa, os moradores e grupos religiosos do Grande ABC realizam as tradicionais romarias a pé até a cidade de Aparecida do Norte para a celebração da novena de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, no dia 12 de outubro.

Enfrentando chuva, calor, cansaço, dores no corpo e até sede, os fiéis da região andam mais de 100 quilômetros com destino à Basílica localizada no interior do Estado. 

Esse é o caso da consultora de segurança alimentar e residente de São Bernardo, Failane Barbosa, 32 anos, e do marido e operador de câmera, Adilson Freitas, 38, que saíram do município no dia 6, percorrendo 189 quilômetros a pé, pela rodovia Presidente Dutra, com um grupo de dez pessoas.

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Failane contou que o principal intuito da peregrinação é pela comemoração do primeiro ano de casamento, realizado em 12 de outubro de 2024. “Já fiz outras romarias saindo de Caçapava, mas é a primeira vez saindo de São Bernardo. Neste domingo, completamos bodas de papel e resolvemos fazer a caminhada como forma de agradecimento pela Nossa Senhora estar sempre com a gente”, disse a consultora, que tem previsão de chegada a Aparecida na manhã deste sábado (11).

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o fluxo deve ser superior a 40 mil pela Rodovia Dutra.

A comerciante de São Caetano, Viviane Constantino, 44, procurou um caminho diferente como trajeto. A moradora partiu de ônibus do Santuário Nossa Senhora de Fátima em Santo Amaro, na Zona Sul da Capital, com direção à cidade de Paraisópolis, no Estado de Minas Gerais. “Nosso grupo é de 180 pessoas. Acordamos todos os dias às 3h da manhã, tomamos café às 4h e continuamos a caminhada até a próxima cidade, para ficarmos em alguma pousada. Escolhemos esse caminho, porque é uma obra de arte de Deus e vemos em cada capela um milagre alcançado”, contou Viviane.

Percorrendo 135 quilômetros a pé, ela ainda comentou que as principais dificuldades da peregrinação são o cansaço, dores musculares e o clima. “Temos carro de apoio que nos acompanha durante o caminho, sempre com água e frutas. A primeira coisa é agradecer a Nossa Senhora por cuidar da gente e seguir com fé renovada, alegria no coração e com a certeza de que somos uma família em peregrinação”, completou a comerciante.

Para o doutor e mestre em Ciências da Religião pela Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Marco Brito, as romarias religiosas são formas de demonstração de gratidão pela fé que a pessoa tem. “As peregrinações existem há mais de 5.000 anos. Quando a pessoa se coloca em direção ao local sagrado, no caso Aparecida, é uma busca pela graça, bênção, cumprir alguma promessa ou mesmo renovar as esperanças”, afirmou o teólogo.

“De fora pode parecer um sacrifício, mas não é assim que devemos analisar. Para quem participa é um sentido espiritual muito profundo. Cada passo é uma prece. A fé é confiança e entrega e se manifesta em atitudes e gestos solidários. A romaria é um ato de fé”, concluiu Brito.




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