Vendas Número representa alta real de 6,6% em comparação ao ano passado; consumidores planejam gastar, em média, R$ 348
FOTO: André Henriques | DGABC

As vendas do varejo para o Dia das Crianças, comemorado amanhã, movimentarão R$ 152 milhões no Grande ABC. O número representa alta real – descontada a inflação – de 6,6% em comparação à projeção do ano passado, de R$135 milhões. Os dados são do CIM (Cento de Inteligência de Mercado) Strong Business Schooll.
Em média, os consumidores da região planejam gastar R$ 348 no total. As principais crianças presenteadas no Grande ABC serão filhos (29,6%), seguidos dos sobrinhos (27,4%), afilhados (11,5%) e netos (7,6%).
A artesã Maria Socorro, 62, da Vila Mazzei, em Santo André, vai aproveitar o primeiro Dia das Crianças com o neto Giuseppe, de 7 meses. Segundo ela, os gastos não se limitam aos mimos.
“Minha outra filha e minha sobrinha estão grávidas. As bebês vão nascer em janeiro e fevereiro. Então, já vou comprar presente para os três. Vou levar brinquedos educativos para o menino e chocalhos para as meninas. Pretendo gastar, no máximo, R$ 250. No domingo, vamos fazer um almoço na minha casa. Preciso me preocupar também com as comidas e bebidas”, comenta.
O valor médio para presentes de meninos é de R$ 237, enquanto para meninas é de R$ 195. Para eles, os presentes mais escolhidos são carro e moto de brinquedo. Para elas, bonecas e maquiagem. O levantamento na região ouviu 882 pessoas entre 3 e 27 de setembro.
Pouco mais de 40% dos consumidores gastarão até R$ 100 por presente, Cerca de 30% entre R$ 101 e R$ 200. Outros 40% entre R$ 200 e R$ 500. Em relação a 2024, o gasto planejado cresceu 13% em termos reais, já descontada a inflação de 5,13%.
“Venho em lojas que já sei que consigo comprar outras coisas e aproveito para levar tudo de uma vez. Não me importo de pegar filas grandes, ainda mais na véspera. Vou presentear minha neta de 8 meses e minha sobrinha de 10 anos. Escolhi uma bíblia infantil e uma lousa de caligrafia. Vou gastar até R$ 100”, diz a operadora de caixa Luciene Souza, 46 anos, moradora do bairro andreense Cidade São Jorge.
Já a dona de casa Fátima Ribeiro, 63, vai gastar um pouco mais para presentear os cinco netos. Ela saiu do bairro Colônia, em Ribeirão Pires, para fazer compras no centro de Santo André, na tentativa de economizar um pouco.
“Não gosto de ficar pesquisando muito. Então, já venho onde tem preços mais em conta. Comprei perfumes e roupas para os meninos mais velhos.Os mais novos vão ganhar jogos. Ao todo, já foi mais de R$ 1.000.”
No Brasil, a projeção é de injetar R$ 9,96 bilhões no comércio – alta de 1,1% em relação ao ano passado. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o dado aponta que essa será a melhor data para o comércio nos últimos 12 anos.
“A inflação ainda não está onde a gente quer. E, justamente por conta disso, os juros também estão em um patamar que ninguém deseja, muito elevado. Então, a combinação desses dois fatores explica por que as vendas não vão acelerar este ano, mesmo com o mercado de trabalho tão bom”, avalia o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em nota.
Ele explica que o juro elevado, com taxa Selic em 15% ao ano, faz o crédito ficar mais caro e força o consumidor a fazer escolhas. “Vai parcelar o brinquedo, vai pagar o cartão de crédito? Se os juros estiverem lá em cima, o sujeito tem que colocar o pé no freio naquilo que não é considerado essencial para ele. Isso gera impactos ao comércio. O prejuízo acaba sendo maior para o comerciante que vende produtos financiados.”
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