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Transporte público é o principal meio de deslocamento dos moradores do Grande ABC

Automóvel é a segunda opção dos trabalhadores do Grande ABC; a maioria leva de 16 a 30 minutos para chegar ao trabalho, aponta Censo

10/10/2025 | 09:02
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No Grande ABC, 37,9% dos moradores utilizam o transporte público para se deslocar até o local de trabalho, segundo dados do Censo 2022, divulgados nesta quinta-feira (9), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse número representa 395 mil pessoas que usam ônibus, trem ou Metrô para chegar ao emprego.

Desse montante, o uso do ônibus para o percurso é o mais expressivo, com 327 mil residentes (31,4%). Já o modal sobre trilhos (trem ou Metrô) registrou 68 mil usuários, média de 6,5%.

Embora a combinação desses meios de transporte seja predominante, o uso de automóveis ainda se mantém expressivo na região, representando 37,8% dos deslocamentos, o equivalente a 393 mil moradores.

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Na sequência, aparecem o deslocamento a pé com 13,8% (114 mil pessoas), motocicleta 6,2% (64 mil) e bicicleta 1% (11 mil). O estudo registrou ainda 3% para outros meios de transporte (31 mil). 

A pesquisa considerou cerca de 1 milhão de moradores da região, com informações computadas entre 25 e 31 de julho de 2022, abrangendo pessoas que se deslocam pelo menos três vezes na semana. O levantamento pode contabilizar mais de um sistema de transporte por pessoa. 

De acordo com o IBGE, o levantamento tem relação com o tempo gasto entre o domicílio e o local de trabalho, desconsiderando paradas, como levar filhos à escola ou fazer compras.

Apesar de os coletivos serem a maior quantidade, o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em transportes rodoviários, Creso Peixoto, relatou que ainda enxerga um longo caminho para o aumento do número de pessoas que utilizam transporte público no Grande ABC. 

“A porcentagem ainda é baixa, apesar dos esforços de melhorar corredores de ônibus e aumentar as linhas. Ainda não gera o interesse de deixar o carro em casa. Precisamos oferecer viagens mais confiáveis, com uma segurança maior em pontos de ônibus, iluminação e conforto. Segurança não se vende”, disse Peixoto.

O docente explicou também que as administrações da região precisam de campanhas educativas, visando o crescimento de outros modais de locomoção. “Em paralelo, é necessário educar as pessoas para fazerem viagens curtas a pé e usarem bicicletas. Precisamos aumentar a extensão das ciclovias, visto que em países da Europa a solução do trânsito foram essas faixas”, falou. Atualmente, o Grande ABC possui 84,3 quilômetros de extensão de malha cicloviária, aumento de 19% em dois anos. Em 2023, era 70,8 quilômetros.

TEMPO 

Outra questão mostrada pelo Censo 2022 é o tempo que o morador leva até chegar ao trabalho. No Grande ABC, 969 mil pessoas levam, geralmente, de 16 a 30 minutos.

“O tempo médio para o percurso não é tão elevado em comparação com a média máxima de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e grandes metrópoles brasileiras, em função do espraiamento das moradias com custo mais acessível e das zonas com mais empregos”, comentou Peixoto.

Outro motivo pode estar relacionado ao número de pessoas que trabalham no mesmo município de domicílio da região. A pesquisa mostrou que 662 mil moram e exercem o emprego na mesma cidade, já outros 408 mil trabalham fora da própria localidade e 173 mil fazem o serviço home-office.

Levando em consideração a porcentagem da população ouvida, Rio Grande da Serra e São Caetano são os municípios da região com o maior deslocamento para outros territórios, 56,1% (10 mil moradores) e 41,8% (34 mil). Por ordem, aparecem Mauá 38,6% (74 mil), Diadema com 35,9% (66 mil), Ribeirão Pires com 34,8% (17 mil), Santo André com 32,1% (113 mil) e São Bernardo com 24% (90 mil).

No Estado de São Paulo, são 2,8 milhões de habitantes que saem de casa para outras regiões.

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