Cotidiano Automóvel é a segunda opção dos trabalhadores do Grande ABC; a maioria leva de 16 a 30 minutos para chegar ao trabalho, aponta Censo
FOTO: André Henriques/DGABC

No Grande ABC, 37,9% dos moradores utilizam o transporte público para se deslocar até o local de trabalho, segundo dados do Censo 2022, divulgados nesta quinta-feira (9), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse número representa 395 mil pessoas que usam ônibus, trem ou Metrô para chegar ao emprego.
Desse montante, o uso do ônibus para o percurso é o mais expressivo, com 327 mil residentes (31,4%). Já o modal sobre trilhos (trem ou Metrô) registrou 68 mil usuários, média de 6,5%.
Embora a combinação desses meios de transporte seja predominante, o uso de automóveis ainda se mantém expressivo na região, representando 37,8% dos deslocamentos, o equivalente a 393 mil moradores.
Na sequência, aparecem o deslocamento a pé com 13,8% (114 mil pessoas), motocicleta 6,2% (64 mil) e bicicleta 1% (11 mil). O estudo registrou ainda 3% para outros meios de transporte (31 mil).
A pesquisa considerou cerca de 1 milhão de moradores da região, com informações computadas entre 25 e 31 de julho de 2022, abrangendo pessoas que se deslocam pelo menos três vezes na semana. O levantamento pode contabilizar mais de um sistema de transporte por pessoa.
De acordo com o IBGE, o levantamento tem relação com o tempo gasto entre o domicílio e o local de trabalho, desconsiderando paradas, como levar filhos à escola ou fazer compras.
Apesar de os coletivos serem a maior quantidade, o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em transportes rodoviários, Creso Peixoto, relatou que ainda enxerga um longo caminho para o aumento do número de pessoas que utilizam transporte público no Grande ABC.
“A porcentagem ainda é baixa, apesar dos esforços de melhorar corredores de ônibus e aumentar as linhas. Ainda não gera o interesse de deixar o carro em casa. Precisamos oferecer viagens mais confiáveis, com uma segurança maior em pontos de ônibus, iluminação e conforto. Segurança não se vende”, disse Peixoto.
O docente explicou também que as administrações da região precisam de campanhas educativas, visando o crescimento de outros modais de locomoção. “Em paralelo, é necessário educar as pessoas para fazerem viagens curtas a pé e usarem bicicletas. Precisamos aumentar a extensão das ciclovias, visto que em países da Europa a solução do trânsito foram essas faixas”, falou. Atualmente, o Grande ABC possui 84,3 quilômetros de extensão de malha cicloviária, aumento de 19% em dois anos. Em 2023, era 70,8 quilômetros.
TEMPO
Outra questão mostrada pelo Censo 2022 é o tempo que o morador leva até chegar ao trabalho. No Grande ABC, 969 mil pessoas levam, geralmente, de 16 a 30 minutos.
“O tempo médio para o percurso não é tão elevado em comparação com a média máxima de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e grandes metrópoles brasileiras, em função do espraiamento das moradias com custo mais acessível e das zonas com mais empregos”, comentou Peixoto.
Outro motivo pode estar relacionado ao número de pessoas que trabalham no mesmo município de domicílio da região. A pesquisa mostrou que 662 mil moram e exercem o emprego na mesma cidade, já outros 408 mil trabalham fora da própria localidade e 173 mil fazem o serviço home-office.
Levando em consideração a porcentagem da população ouvida, Rio Grande da Serra e São Caetano são os municípios da região com o maior deslocamento para outros territórios, 56,1% (10 mil moradores) e 41,8% (34 mil). Por ordem, aparecem Mauá 38,6% (74 mil), Diadema com 35,9% (66 mil), Ribeirão Pires com 34,8% (17 mil), Santo André com 32,1% (113 mil) e São Bernardo com 24% (90 mil).
No Estado de São Paulo, são 2,8 milhões de habitantes que saem de casa para outras regiões.
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