Polêmica Caio Salgado e Professor Ródnei foram punidos pelo presidente do Legislativo, Dr. Seraphim
FOTO: Wilson Guardia

A Câmara de São Caetano, presidida por Carlos Humberto Seraphim, o Dr. Seraphim (PL), puniu, de forma branda, os vereadores que dançaram em cima das mesas do plenário. Caio Salgado (PL) e Ródnei Claudio Alexandre, o Professor Ródnei (PSD), receberam advertências verbais. O puxão de orelha, segundo os parlamentares, ocorreu no gabinete do chefe do Legislativo.
Na sessão desta terça-feira (7), a primeira após a polêmica dança ocorrida na quinta-feira (2), a vereadora de oposição Bruna Biondi (Psol), cobrou uma resposta pública sobre quais sanções foram adotadas pela Casa contra os colegas.
Seraphim limitou-se a dizer que seguiu Regimento Interno e pediu para o primeiro-secretário da mesa diretora, Jander Lira (PSB), proceder a leitura da Resolução nº 797, de 06 de dezembro de 1990, que traz as regras a serem seguidas.
O Artigo 70, do documento traz a seguinte orientação: “se qualquer vereador cometer, dentro do recinto da Câmara, excesso que deva ser reprimido, o presidente conhecerá do fato e tomará as seguintes providências, conforme sua gravidade. Item um: advertência pessoal”, verbalizou Jander, em resposta ao questionamento de Bruna, que insistiu para que as demais sanções previstas fossem externadas. Apesar da insistência da psolista, o assunto não se estendeu, uma vez que a advertência aos parlamentares foi decisão tomada pela presidência.
Entretanto, questionada via assessoria, a Câmara respondeu ao Diário que, embora a situação tenha ocorrido após o término formal da solenidade, dentro das dependências da Casa, condutas que possam comprometer a imagem institucional do Legislativo serão analisadas com a devida atenção, conforme previsto no Regimento Interno. “Caso constatada a necessidade, as medidas cabíveis serão adotadas”.
Apesar da resposta não apresentar prazos para uma sindicância, a Câmara diz prezar pela “integridade institucional, pelo respeito ao espaço público e pela conduta ética de seus membros”.
“Foi excesso de alegria. Quem estava aqui entendeu o contexto e não se sentiu desrespeitado. Peço desculpas pelo excesso. Não cometi crime. Não roubei, não desviei dinheiro e não fraudei contratos”, declarou Caio. “Não é possível, que esse excesso apague toda uma história”, pontuou.
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O Professor Ródnei disse lamentar o episódio em um momento de descontração. O pessedista, em discurso pronto, garantiu “respeitar as instituições” e pediu desculpas aos vereadores, ao presidente e quem se sentiu ofendido.
O vice-presidente da mesa declarou ter um histórico de trabalho sério e de respeito pelo plenário e pela população de São Caetano. Reconheceu que, apesar da polêmica e de não considerar normal subir na mesa, isso não abala o trabalho que vem sendo realizado pela cidade.
CONFUSÃO
A sessão desta terça-feira (7) foi marcada por bate-boca e quase agressão física entre César Oliva (PSD), líder do governo, e Matheus Gianello (PL). Os vereadores discutiram sobre a contratação de uma empresa para auditar as mais de 14 mil páginas de documentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Dívida, ao custo de R$ 800 mil.
Em meio ao acalorado debate, Oliva questionou de forma pejorativa o local onde o colega havia se formado. Os dois são advogados. Gianello não gostou do comentário e disse que, diferentemente do pessedista, não usa a família para se promover.
Oliva, que tem um filho com síndrome rara, única no mundo, desceu da tribuna e partiu para cima de Gianello. Os demais vereadores precisaram intervir e a sessão foi suspensa por cinco minutos.
Apesar da confusão, o único item da ordem do dia, que versava sobre a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), foi aprovado em segundo turno por 17 votos favoráveis e três contrários – presidente não vota. As 12 emendas foram rejeitas.
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Em relação à confusão, Matheus Gianello se manifestou por meio de nota. Confira à integra.
"Durante minha fala na Câmara, destaquei que é dentro de casa que tiro minhas inspirações. Da minha família vem a força e as ideias para trabalhar por São Caetano.
Em nenhum momento ofendi o vereador César (Oliva), apenas dei ênfase na presença e apoio da família dele na vida pública. O que é normal para vereadores. Lamento a forma descontrolada e agressiva com que ele reagiu, descendo da tribuna e me encarando de maneira hostil, como se quisesse me intimidar.
Infelizmente, o vereador tem adotado um tom jocoso e debochado ao falar da minha idade, formação e capacidade, como se ser jovem fosse sinônimo de inexperiência. Eu estudei no Mackenzie, cursei parte da graduação na Católica do Porto, tenho pós-graduação no Insper e publiquei um artigo que virou livro. Mas nada disso me faz melhor do que ninguém, apenas reforça que meu voto, mesmo preparado, vale igual ao voto de quem é orientado pelo governo.
Tenho atuado com responsabilidade e transparência, e não é por acaso. Hoje há uma Ação Popular, um Inquérito Policial e processos no TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) que apontam graves indícios de irregularidades na CPI. Sou terminantemente contra a contratação, sem licitação, de uma empresa por R$ 800 mil para analisar documentos duvidosos e possivelmente adulterados.
Minha função é fiscalizar, denunciar e defender o dinheiro do povo de São Caetano, mesmo que isso incomode quem prefere o silêncio ou o conchavo."
Em declaração à reportagem, Oliva se explicou sobre a atitude tomada. Confira.
“Graças a Deus não houve vias de fato. Realmente, a gente acabou discutindo tête-à-tête, porque infelizmente, quando acho que a política já foi ao mais baixo possível, ele (Gianello) consegue baixar mais ainda. Neste momento minha esposa está no hospital com meu filho, que quase quebrou o nariz dela, para que o médico pudesse examiná-lo. E no meio da discussão da CPI, o vereador Matheus Gianello disse que eu faço política com o meu filho. Infelizmente, às vezes, não tenho sangue de barata, mas mesmo assim vou me preparar, porque entendi o nível que o Matheus pode chegar.”
Reportagem atualizada às 23h50.
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