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Entorpecida pelo amor

Patricia Cardoso
05/10/2025 | 10:00
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Conviver com o amor, planejar filhos, constituir família e ser de fato feliz. Esses são os planos…

Março de 2006, a sensação era estranha… apesar das sensações físicas, parecia que a parte estranha estava na alma. E assim, confirmada no teste de grávidez.

DGABC

Entorpecida de emoções.

A primeira fase é a de acreditar na notícia através da confirmação do médico. Depois de compartilhar com amigos e familiares. 

Entorpecida de carinhos. 

Inicia-se aqui uma jornada na qual o amor próprio fica guardado numa caixinha e a vida começa a girar em volta de outro ser, muito mais importante.

Fortes emoções a cada ultrassom e visita ao médico. Um alívio ao ouvir o coração e saber que está tudo bem nos exames. 

Entorpecida de preocupações.

Os preparativos para a vinda do novo membro começa a ser o foco principal da vida nessa etapa: fraldas, macacões, sapatinhos...

Entorpecida de alegrias.

Assim como corpo e alma sentem a presença de um novo ser, o corpo e a alma também sentem quando o momento mais esperado chega.

Para algumas pessoas, de um jeito que até parece um filme ou um sonho.

Madrugada de dois de outubro de 2006, olhos se fecham para dormir e logo aparece o obstetra, que introduz uma agulha de tricô na vagina e chama seu parceiro médico, para que juntos possam analisar se era ou não o momento do bebê nascer. Acordo assustada. Era só um sonho… mas aproveito para aliviar a bexiga.

Nesse momento, um líquido transparente começa a escorrer descompassadamente. A bolsa rompeu! 

Sonho ou realidade? Até hoje não sabemos…

Às pressas para o hospital, malas já prontas e desespero de toda família. 

Medicação, dores do parto, anestesia… nasceu!

Procuro palavras para descrever tamanha emoção mas não encontro, porém, lembro que os primeiros momentos no hospital foram de total apoio, cuidados mãe e bebê, presença da família, charuto dos pais, lembrancinhas, orientações de mamadas e, apesar do corte gigante na barriga, nesse momento os holofotes não são para isso. 

A tensão de sair com o bebê nos braços era o próximo desafio. 

Enfim, chegou o momento mais esperado dessa história. Saio da maternidade com o meu bebê nos braços.

No caminho até em casa, olho aquele serzinho e o coração dispara. Nesse momento, conheço o que é o amor verdadeiro e meus olhos abraçam o bebê com o carinho mais inexplicável desse mundo. O peso da responsabilidade por cuidar daquele ser tão impotente, tão inofensivo e tão dependente de mim me faz gelar a espinha e, nessa mistura de emoções, com o nascimento da maior responsabilidade da vida, descobri naquela hora que estava, de fato, tendo o primeiro contato com o amor. Fiquei ali, olhando o meu bebê com lágrimas escorrendo… 

Entorpecida de amor!

Patricia Cardoso é professora.




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