Nova tendência Fenômeno nas redes sociais, monstrinhos viraram desejo de consumo e já influenciam desde colecionadores até comércio na região
Denis Maciel/DGABC

Com orelhas grandes, sorriso travesso e dentes pontiagudos, os Labubus chamam atenção pelo contraste: ao mesmo tempo em que são coloridos e fofos, os personagens que se tornaram febre no Grande ABC também possuem um ar bizarro que causa estranheza à primeira vista.
Criados pelo artista de Hong Kong Kasing Lung em 2015, como parte da série ilustrada The Monsters, os bonecos élficos ganharam o mundo após a parceria com a fabricante chinesa Pop Mart. O formato das blind boxes (caixas-surpresas em que o consumidor só descobre o modelo ao abrir) ajudou a impulsionar a febre. Mas o boom global veio mesmo em 2024, quando celebridades como Lisa (Blackpink), Dua Lipa, Rihanna e Kim Kardashian apareceram exibindo os monstrinhos como acessórios de luxo.
Desde então, os Labubus se espalharam pelas redes sociais, vitrines e bolsas de milhares de consumidores, dividindo opiniões. Para alguns, uma fofura irresistível; para outros, uma aberração que mais assusta do que encanta.
No Brasil, a Pop Mart ainda não tem operação direta. Os originais chegam por importadoras e revendedoras, custando, em média, R$ 150 por miniatura e até R$ 250 em coleções especiais. A fabricante alerta que o produto não é destinado a crianças e só devem ser manipulados por maiores de 15 anos.
Mas, para não ficar de fora da moda, os brasileiros criaram os Lafufus, versões piratas que imitam o design a preços acessíveis, com valores que variam entre R$ 35 e R$ 100.
Em visita aos centros das cidades do Grande ABC, o Diário encontrou estandes com chaveiros, bolsas, roupas, sapatos, capinhas de celular e até batons no formato do monstrinho. Segundo o vendedor Felipe Vicente, 18 anos, em São Bernardo a procura é alta. “No auge do estouro, vendemos de 10 a 15 produtos por dia. Pelúcias e capinhas são as que mais saem aqui na loja. Crianças e mulheres são as que mais procuram”, contou.
Para a estudante de Mauá Laís Madureira, 24, a febre ultrapassa o modismo. Ela mantém uma coleção com uma dezena e meia de Labubus, em versões de pelúcia, chaveiros e até bolsas. O primeiro, lembra com carinho, foi um presente. “Ganhei meu primeiro Labubu, foi o cinza da geração um. No momento que abri aquela caixinha, sabia que não conseguiria ter só um.”
Laís conta que sempre gostou de colecionar, desde as bonecas Barbies até álbuns de figurinhas, e que os Labubus trouxeram uma sensação de nostalgia. Para ela, o preço dos originais é alto, mas as versões mais baratas satisfazem o mesmo desejo. “Nunca me arrependi de nenhuma compra. Não pagaria R$ 300 em um chaveiro, mas sabendo escolher, dá para ser feliz pagando pouco”, disse.
Mesmo que o hype diminua, a aluna garante que seguirá colecionando. “Não comecei devido à moda. Os Labubus me conquistaram por me lembrarem da infância e por terem essa mistura de fofo e assustador, que é muito a minha cara”, finalizou.
Especialista explica a fissura pelas pelúcias As febres que surgem nas redes sociais não são novidades. Itens como o Morango do Amor, os bebês reborn e os livros de colorir bobbie goods também viralizaram em alguns meses deste ano. Cada um deles atraiu legiões de fãs e gerou controvérsias, seguindo padrões parecidos de rápida adesão, sensação de exclusividade e apelo ao colecionismo.
Para o professor da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo) Alan Angeluci, os Labubus seguem essa mesma lógica. “Em geral, vemos alguns elementos que se repetem, como a estética chamativa ou inusitada, uma narrativa curta que acompanha o objeto, a validação de influenciadores e a sensação de escassez ou exclusividade. Esse conjunto cria um terreno fértil para o surgimento de modas”, destacou o docente.
Segundo Angeluci, a polarização é parte do sucesso. “O Labubu está no limite entre o fofo e o estranho. Essa ambiguidade gera fascínio em alguns e repulsa em outros, mas a controvérsia mantém a tendência em evidência”, afirmou.
O especialista destaca ainda o papel fundamental das redes sociais, que aceleram tanto a adesão quanto o desgaste. “O comportamento coletivo cria o desejo e o engajamento, enquanto o algoritmo amplia a visibilidade e acelera a propagação. Sem pessoas interessadas, não haveria moda, mas sem o algoritmo, ela dificilmente alcançaria tanta escala.”
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