Artigo Os últimos levantamentos e estatísticas sobre os danos do metanol na população de São Paulo citam seis mortos e 16 intoxicados graves através da substância criminosamente utilizada para a adulteração de bebidas (destilados, vinhos e cervejas) disponíveis no mercado. As suspeitas são de que as mercadorias teriam sido “batizadas” em bares e similares e que a ação criminosa venha ocorrendo nos últimos meses. Também se diz que, apesar dos esforços policiais, ainda não existem notícias seguras da extensão do crime e, principalmente, do número de suas vítimas nos diferentes níveis de gravidade. Alerta-se que a ingestão da substância pode levar à perda de visão ou até à morte, entre outros problemas irreversíveis de saúde.
As revelações decorrentes do uso criminoso do metanol provocam grande mobilização. Centros públicos de fiscalização e tecnologia empenham-se em aprimorar os processos de identificação e danos da substância. A estrutura policial busca a identificação dos envolvidos na adulteração e distribuição das mercadorias envenenadas pelo componente químico. Adverte-se a população para os riscos alertam a população para os riscos que o consumo das bebidas sem as devidas cautelas pode trazer à saúde.
Vale lembrar que existem 70 facções do crime organizado operando no País, sendo duas maiores de âmbito nacional e outras de caráter regional, com grande ingerência no mercado econômico tanto em atividades criminosas como em ramos legalizados. Em algumas regiões, a economia dos ilegais chega a ser maior do que a do mercado formal.
É por conta da heterogeneidade dessa economia paralela que surgem atividades perigosas como a que hoje envolve o comércio clandestino do metanol, os esquemas do narcotráfico e outras atividades que provocam o incômodo da população.
Espera-se que a indústria de bebidas e sua rede distribuidora sejam orientadas e fiscalizadas com maior rigor para evitar que o solvente continue causando danos à saúde e até a morte dos consumidores.
Mais urgente do que buscar solução e segurança para a falsificação de bebidas no futuro, o mais importante é retirar com a devida urgência a que agora ainda está disponível no mercado e já podem matar consumidores. Que as autoridades fiscalizadoras de todas as áreas façam o mesmo que os policiais do 49º Batalhão da Polícia Militar realizaram. Como mostra o companheiro Jornalista Rafael Batalha em seu flash, aquela equipe recolheu 2.000 garrafas de bebida falsificada numa adega que fornecia a mercadoria a outros estabelecimentos. É de ações como esta que necessitamos no momento. Atuação antes que haja novas vítimas a lamentar. Apreenda-se toda a mercadoria suspeita para devolução se provada sua regularidade e salubridade e – importante – a penalização do envolvido que a tiver adulterada e perigosa ao consumidor.
Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).
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