Economia Titulo Clientes preocupados

Vendas de destilados têm queda de 80% em bares da região por crise com metanol

Faturamento do setor de hospedagem e alimentação deve diminuir, no mínimo, 15% em outubro; consumo de gim e uísque recua após mortes

Beatriz Mirelle
04/10/2025 | 08:00
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Leandro Valente usou redes sociais para informar clientes sobre a procedência das bebidas (FOTO: Celso Luiz/DGABC)
Leandro Valente usou redes sociais para informar clientes sobre a procedência das bebidas (FOTO: Celso Luiz/DGABC) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os bares da região já registram queda de 80% nas vendas de destilados após as mortes suspeitas por intoxicação de metanol. Segundo o Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação
do Grande ABC), os problemas se intensificarão nas próximas semanas e o setor deve sentir, no mínimo, 15% de retração neste mês até que a situação se normalize.


O empresário Sanderson Xavier, 53 anos, proprietário do Zangão Bar e Choperia, em São Caetano, afirma que já reduziu em 50% as compras de engradados de bebidas destiladas’. “Já pedi menos para os fornecedores.Por mais que todas as bebidas aqui estejam com carta de selo, que é a numeração do produto e garantia de segurança, os clientes estão desconfiados. Metade do nosso lucro é do álcool. Agora, a escolha dos consumidores é pela cerveja. A venda de vodca, uísque e gim caiu 80%.”


O presidente do Sehal, Beto Moreira, considera que o comércio de bebidas envasadas deve aumentar, mas não vai compensar a queda do setor, porque “a lucratividade é outra”. “O pessoal não vai
deixar de beber. Só vai optar pela cerveja de latinha ao invés da caipirinha. A perda de faturamento de bares da região em cima do destilado deve ser de, no mínimo, 15%. É um momento de
grande insegurança do setor. A pessoa vai para uma festa, antes faz ‘esquenta’ e passa em bar ou compra bebida na rua. Ela não sabe em qual desses lugares foi contaminada. As repercussões financeiras não vão cessar até que as autoridades desvendem a origem desse problema”, pontua.

DGABC

O estabelecimento Dona Adega, em São Caetano, ainda não sentiu os prejuízos dessa crise, mas o gerente Leandro Valente, 40, prevê leve recuo na comercialização nas próximas semanas. “Vamos perceber neste fim de semana, que deve ser um pouco mais frio do que o último. No calor, sai muita cerveja. Com a queda da temperatura, o cliente opta por uísque ou vinho. Nós divulgamos nas redes sociais informações sobre a procedência das nossas bebidas. Temos notas fiscais, números de rastreabilidade. Todas as bebidas são lacradas. Trabalhamos com fornecedores homologados, aprovados em processos de avaliação de qualidade.”


Segundo Valente, o maior risco é no consumo de garrafas que já estão abertas. “Ao comprar bebidas fracionadas, como pequenas doses ou ‘copões’ (copos de 500 ml), não há garantia”, afirma.

No País, setor perde R$ 100 bilhões com golpes

A Fhoresp (Federação dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo) estima perdas de R$ 100 bilhões no setor nacional de hospedagem e de alimentação, em 2024, por causa de fraudes e golpes. Segundo a entidade, cerca de 36% do volume total do produto comercializado no País é falsificado, adulterado ou contrabandeado – o que causa perda fiscal de R$ 85,2 bilhões.

O motorista de aplicativo Bruno Santana, 26 anos, está inseguro para ingerir qualquer tipo de bebida, mas observa que muitos conhecidos mantêm o consumo mesmo com os recentes alertas sobre o metanol. “Costumava beber em adega, lounge, no samba. Escolhia gim e uísque. No último mês, já vinha diminuindo a frequência porque estava gastando muito. Agora, com as mortes, vou maneirar ainda mais. Na vizinhança, o pessoal não liga, acha que não vai ‘dar em nada’ beber”, afirma o morador do Parque Miami, em Santo André.

Ele relata que já consumiu bebida adulterada e isso aumentou o receio. “Há uns anos, fui em um evento, bebi um pouco e já fiquei bem mal. A cerveja estava ‘batizada’. Sempre me preocupei com isso.”

De acordo com a Fhoresp, o consumidor deve ficar atento a produtos com preços abaixo do praticado no mercado, lacre/cápsula tortos ou mal posicionados, odor irritante ou de solvente, além de lotes que divergem do que foi informado na nota fiscal.




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