Editorial A Enel se tornou referência quando o assunto é ocorrência de falhas na prestação de serviços. Principalmente durante as fortes chuvas, período em que as condições climáticas interrompem o fornecimento de energia e a concessionária, sabe-se lá por quais razões, parece se esconder e demora para restabelecer o serviço, deixando seus usuários às escuras.
Atuando em São Paulo e na Região Metropolitana desde 2018, quando comprou a Eletropaulo, a Enel já teve tempo de sobra para conhecer sua área de atuação, adaptar-se e, principalmente, aprimorar-se no sentido de atender bem seus clientes. Mas jamais o fez.
Pelo contrário. A empresa frequentemente aparece nas páginas deste Diário – e de outros veículos de comunicação – associada a problemas, serviços não prestados ou valores de contas exorbitantes.
Ainda está viva na lembrança da população do Grande ABC o mega-apagão de outubro do ano passado, quando 3,1 milhões de consumidores ficaram ao léu na Capital e Grande São Paulo por até seis dias.
Alheia ao mundo real, a Enel busca junto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a prorrogação antecipada do seu contrato, que originalmente vence em 2028. E, sem a menor cerimônia, pleiteia ficar por mais três décadas no posto.
Tal ação foi questionada pela Prefeitura de São Paulo, que pediu à Aneel a suspensão de forma imediata desse processo.
E tal ação ganhou eco no MPF (Ministério Público Federal). O órgão solicita à Aneel que aguarde a conclusão do processo administrativo movido pela Capital, que investiga uma possível caducidade da concessão, antes de decidir sobre a renovação (ou não) do contrato.
Diante de tudo o que apresentou, a Enel mostrou que não está à altura de prosseguir como a responsável pelo fornecimento de energia elétrica a paulistas e paulistanos. Mantê-la seria um prêmio sem precedentes à incompetência. Antecipar essa renovação, uma vergonha.
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