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Na região, número de estudantes no ensino superior cai 25% em 10 anos

Queda foi puxada pelas instituições privadas, que saíram de 43.376 para 18.817 alunos

29/09/2025 | 02:11
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O levantamento foi realizado pelo Diário com base nos dados do Censo da Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A queda foi puxada pelas faculdades privadas, que saíram de 43.376 em 2014 para 18.817 alunos no ano passado.

Já as universidades públicas, que incluem a UFABC (Universidade Federal do ABC), com campi em Santo André e São Bernardo, a USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e as Fatecs (Faculdade de Tecnologia), com unidades em seis municípios – com exceção de Rio Grande da Serra –, registraram um salto de 19.245 para 27.883 no número de matriculados. 

O resultado veio do aumento da quantidade de vagas de algumas delas. A USCS, por exemplo, ampliou a oferta de 4.680, distribuídas por 29 cursos, para 6.250, em 58 opções. A instituição tinha 6.758 alunos em 2014, número que cresceu para 10.823 em 2024. Apesar de não ampliar o número de vagas, a quantidade de estudantes na UFABC cresceu 61% no período e passou de 9.580 para 15.412. 

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“Diante das restrições orçamentárias acentuadas principalmente entre 2016 e 2022, e que ainda não retornaram aos parâmetros anteriores a esse período, há preocupação quanto à garantia do funcionamento dos serviços necessários a um eventual crescimento do número de vagas”, informou a UFABC em nota. A universidade destacou que houve um crescimento de estudantes oriundos do Grande ABC. “Isso representa um impacto regional na oferta do acesso ao ensino público gratuito e de qualidade.”

A Metodista de São Paulo, localizada no município são-bernardense, apesar de manter a média de vagas ofertadas, teve uma diminuição na quantidade de matriculados de 21.095 para 5.118 no período. Para atrair mais alunos, a instituição reduziu as mensalidades em aproximadamente 30% e oferece opções de desconto progressivo. O objetivo é ter a recomposição dos números de alunos até 2030.

“As universidades particulares foram abaladas pela pandemia da Covid-19. A Metodista vem desenvolvendo uma mudança estratégica para tornar a educação mais acessível, ancorada na mudança de perfil econômico do Grande ABC. A desindustrialização da região trouxe um achatamento da média salarial, especialmente em São Bernardo e Diadema, de onde vem 80% de nossos alunos”, explica o diretor de Marketing e Comunicação da instituição, Fabio Eloi Oliveira.

Entre os cursos mais procurados nas universidades da região estão Administração, Pedagogia, Psicologia, Sistema de Informação e Engenharia de Produção. No total, são 18 instituições de ensino superior, sendo oito públicas e dez privadas. 


SONHO

Por questões financeiras, para muitos estudantes, o sonho de cursar uma graduação é possível somente por meio do ensino gratuito. O aluno da UFABC Rogério Pontes Carvalho, 33 anos, luta há pelo menos 13 anos por essa realização. Ele ingressou em 2012, em Bacharelado em Ciências e Humanidades, mas devido a dificuldades, como falta de acesso à internet para realizar algumas atividades, precisou pausar os estudos.

“Sofri muito, pois não tinha um celular bom, o wi-fi ainda estava começando e era muito tecnológico, tinha uma infinidade de questões que devem ser realizadas de modo on-line. Sem aparelhos de qualidade e com boa conexão não tinha como acessar sites e programas”, conta Carvalho. 

As limitações de recursos não fizeram o estudante desistir. Carvalho começou a trabalhar em uma multinacional e fez um curso técnico e em 2021, reingressou no mesmo curso e terá, em breve, não somente um, mas dois cursos superiores. “Ano que vem me formo na minha primeira graduação. Estou em paralelo cursando Ciências Econômicas”, revela.

A UFABC diz que ampliou o acesso a computadores e à internet e que atualmente oferece bolsas e auxílios para estudantes em situação de maior vulnerabilidade.

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