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‘Se prepararmos a base, recuperamos a Presidência’, diz Paulo Serra

29/09/2025 | 03:10
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FOTO: André Henriques/DGABC - Hisayuki Matoba com sua filha Marina Marie Matoba
FOTO: André Henriques/DGABC - Hisayuki Matoba com sua filha Marina Marie Matoba Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A praticamente um ano das eleições gerais que podem significar tanto a extinção quanto a redenção do PSDB, partido que já comandou o Brasil duas vezes, o presidente estadual da sigla, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André, trabalha pela segunda opção. Dizendo-se animado, por enxergar que os eleitores estão dando sinais de cansaço com a polarização política, o que pode trazê-los de volta ao ninho tucano, o andreense projeta eleger até seis deputados estaduais e quatro federais, sendo que ele próprio pode ser um deles. Em entrevista exclusiva ao Diário, Serra fala também do sucessor Gilvan Ferreira (PSDB), de cujo trabalho afirma ter “orgulho”.

Como se encontra o PSDB em São Paulo neste momento?

Estamos muito animados com esta nova fase do partido. Primeiro porque há expectativa do surgimento de alternativas à radicalização extrema que ainda estamos vivendo na política e pela qual o Estado de São Paulo paga um pouco do preço. Pautas importantes do Brasil acabam não sendo destravadas por conta dessa disputa. É muito improdutivo para o País e isso tem gerado nas pessoas, na sociedade de uma forma geral, a expectativa do surgimento de alternativas. E o PSDB, que é partido de centro – e quando falo de centro, não é o Centrão da política, é um partido que vê aspectos de gestão positivos tanto na esquerda quanto na direita –, está se tornando, eu diria, um partido necessário ao Brasil.

DGABC

O sr. demonstra um otimismo que contrasta com as análises dos principais observadores políticos do País, de que o PSDB entrou em extinção...

Aqui em São Paulo, antecipei-me e lancei o edital para os interessados em disputar as eleições para deputado em 2026 e já estamos com quase 100 inscrições. O PSDB está sendo revigorado e o nosso foco é na montagem das chapas para termos boas candidaturas para federal e estadual. Um partido, na minha opinião, não pode ser medido apenas pelos números de vereadores, de prefeitos, de parlamentares. Claro que isso é importante, porque dá representatividade, mas nós representamos um conceito de gestão. A social-democracia é uma teoria de gestão que foi aplicada em muitas cidades, muitos Estados e no Brasil, no governo Fernando Henrique (Cardoso, de 1995 a 2002). Hoje, essa teoria continua muito atual e é necessária para fugirmos dessa radicalização improdutiva que, pouco a pouco, as pessoas – a dona Maria e o seu Zé, que estão em casa – percebem que não tem colocado comida na mesa, não tem aumentado os salários, não tem melhorado a segurança pública. Nós, com equilíbrio, racionalidade e bons quadros, que são a nossa característica, vamos ganhar espaço de maneira natural. Nossa animação é por isso.

O sr. acredita que o PSDB voltará a ter protagonismo, inclusive nacional?

Se prepararmos a base, montarmos as chapas e oferecermos boas alternativas para deputado federal e estadual em 2026, tenho certeza de que vamos ganhar um outro tamanho e, a partir daí, poder pensar novamente em projetos maiores, como até, quem sabe, em 2030, 2034, recuperarmos a Presidência da República. O protagonismo vai voltar, não tenho dúvida, até pelo cansaço que o cidadão tem hoje desse modelo polarizado que já se esgotou.

O sr. acha mesmo que essa polarização se esgotou? Não tem visto as redes sociais?

É um processo lento. Por isso que falei em 2034. Não estou falando de amanhã. Eu acredito muito nisso, e sei que essa mensagem vai chegar, ainda que talvez não na velocidade que gostaríamos. Mas, veja, cinco anos atrás tínhamos a esquerda falando que no Brasil não havia Justiça porque tinha um ex-presidente preso (Luiz Inácio Lula da Silva, PT) e a extrema direita dizendo que era patriota. E agora nós temos a extrema direita dizendo que o Brasil não tem Justiça porque temos um ex-presidente preso (Jair Bolsonaro, PL, cumpre prisão domiciliar e está condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado) e a esquerda falando que é patriota. Essa inversão de papéis só mostra que o processo de polarização se esgotou.

O que o eleitor deve esperar do PSDB em São Paulo nas próximas eleições?

A prioridade é o lançamento de candidaturas fortes para deputado federal e estadual. No entanto, não descartamos em alguns Estados o lançamento de candidaturas majoritárias, tanto ao Senado quanto ao governo, dependendo da circunstância. Estamos num momento de pé no chão, de pragmatismo. O PSDB deixou de ser aquele partido enorme, com uma bancada de quase 100 deputados que governava metade do Brasil. Estamos muito longe disso.

Qual é a meta do partido?

Fazer pelo menos de três a quatro federais e de cinco a seis estaduais em São Paulo.

Seu nome tem aparecido nas pesquisas ao governo do Estado. O sr. vai se candidatar a governador ou deputado federal?

É difícil falar da pretensão pessoal porque faço parte de um grupo político que hoje tem o Gilvan na Prefeitura e a Ana Carolina (Serra) deputada. Dependemos, primeiro, da vontade e da disposição desse grupo. Se eu for chamado a missão maior, do Estado, dependendo da circunstância, não vou negar essa disposição. Mas neste momento a minha vontade pessoal fica em segundo plano. Mas que é importante para Santo André ter um deputado federal, disso não tenho dúvida.

Algum tempo atrás, seu nome tinha sido aventado para o Senado...

Com muita transparência, partidariamente isso hoje ficou um pouco mais longe. A avaliação do partido é que essa raia ainda vai continuar muito polarizada. Nossa avaliação é que, como serão duas vagas ao Senado, uma vai para um polo e a outra fica para o outro.

Qual a avaliação do sr. sobre a tese do deputado federal Alex Manente, que é pré-candidato ao cargo pelo Cidadania, de que o Grande ABC tem potencial para eleger um senador?

O Alex é um grande quadro. Tem contribuições bastante significativas com a região. Como deputado, fez mandato reconhecido. É líder de bancada e tem representatividade em Brasília, algo que não é fácil – são mais de 500 deputados. Tem méritos, representa bem o Grande ABC e tem razão no argumento. Poderíamos ter representatividade maior, seja no Senado, seja no governo do Estado, seja como vice-governador. Outro exemplo? Tivemos pouquíssimos secretários de Estado. Agora, transformar isso (a candidatura ao Senado) em realidade, aí é uma outra discussão.

Com o fim da federação entre os dois partidos, a deputada Ana Carolina Serra, que hoje é do Cidadania, vai migrar para o PSDB na janela partidária do próximo ano?

O PSDB hoje está se estruturando para disputar eleição sem federação. Se realmente terminar, o que hoje eu não cravaria, pois teria a mesma chance de acertar quanto a de errar, não faria sentido a Ana Carolina não ser do PSDB. Vejo isso como uma migração natural, mas vamos definir só no mês de março com toda a conjuntura já estabelecida.

O PSDB tem uma deputada eleita pelo Grande ABC, a Carla Morando. Ela será candidata à reeleição pelo partido?

Ela não demonstrou formalmente nem interesse de ficar nem materializou o desejo de sair. Estamos conversando com todos os deputados. Almocei há 15 dias mostrando para eles essa nova perspectiva do PSDB de montar a chapa. Quem tiver compromisso com outro partido – o que é legítimo; vamos perder e vamos ganhar deputados –, a gente está à disposição (para conversar). É uma deputada legitimamente eleita, representa uma cidade importante, São Bernardo. Vamos aguardar a manifestação de todos os deputados da nossa bancada, formada por nove tucanos mais três do Cidadania. Vamos jogar aberto, limpo e transparente, mostrando que será muito difícil repetir as nove vagas porque era uma outra situação. O PSDB estava no governo na última eleição; não estamos mais.

Da meta de eleger até quatro federais e até seis estaduais, quantos candidatos do Grande ABC têm chances reais?

Acho que dois é possível para a Assembleia. Não vejo dificuldade de manter o desempenho da eleição passada. Podemos ter também dois federais na região pelo PSDB. Vejo muito potencial no vereador Leonardo (Alves) de Mauá, um dos mais votados da cidade, cara jovem, dinâmico.

Nove meses após ter passado o bastão para Gilvan, como o sr. avalia o trabalho dele?

Com muito orgulho e alegria. Pessoalmente, não tinha nenhuma dúvida da capacidade do Gilvan porque ele esteve conosco desde 2016. Passou por várias secretarias importantes. Está desempenhando de forma muito natural. Ele é muito dedicado. Tem entregado aquilo que a cidade escolheu. Isso que é importante: a continuidade, que é diferente de continuísmo. A oposição fica brava, não se conforma, não entende. É um modelo de gestão. Não é a gestão do Paulo Serra. O prefeito hoje é o Gilvan Ferreira, que representa o modelo de gestão que está implementado, deu certo e a cidade escolheu. Vejo o nosso time político muito consolidado. Isso inclui a Ana Carolina, o prefeito que hoje lidera o processo e os vereadores. Elegemos bancada importante. Sou amigo de todos, fazem grande trabalho, ajudam a cidade aprovando projetos. Tenho certeza de que esse nosso grupo político vai se manter coeso nos projetos que são importantes para a própria manutenção da cidade. Não é comum um grupo político coeso como nós temos. Posso dizer até que, talvez, seja uma exceção.

Como o sr. vê a reformulação no primeiro escalão? O Gilvan tinha aproveitado 100% do seu secretariado...

Acho que é natural, mais do que necessário. Também mudei muitas vezes. São ajustes porque o técnico do time, que é o prefeito, escala os jogadores, vai conhecendo as peças. Vivi isso em oito anos. Às vezes você põe um cara supertécnico em uma posição, mas ele rende melhor em outra.

RAIO-X

Nome: Paulo Henrique Pinto Serra

Aniversário: 6 de maio

Onde nasceu: Santo André

Onde mora: Santo André

Formação: Economia e direito, especialista em gestão pública (com certificado pela Universidade Harvard)

Um lugar: Santo André 

Time do coração: São Paulo

Alguém que admira: Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil

Um livro: Uma Terra Prometida, de Barack Obama

Uma música: Tá Escrito, do Grupo Revelação

Um filme: Luta de Classes (2025), dirigido por Spike Lee




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