Tarifaço Empresa investiu R$ 1 bilhão na reforma da fábrica de Santo André e tem cerca de 500 mil pneus de carga prontos para serem exportados
FOTO: Divulgação/Bridgestone

A Bridgestone torce para que a ‘química’ manifestada pelos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, evolua, suplante as diferenças e, principalmente, acabe com a sobretaxa de 50% imposta a produtos brasileiros. O mercado norte-americano é o principal destino dos pneus de carga que são produzidos na fábrica de Santo André.
A unidade recebeu investimento de R$ 1 bilhão para a modernização de seu maquinário nos últimos três anos e agora foi impactada pela sobretaxa imposta por Trump. “Estamos enfrentando um cenário de incerteza em relação ao futuro, porque a fábrica de Santo André está pronta para a exportação de 500 a 600 mil pneus de carga para a Bridgestone dos Estados Unidos, que compra os nossos pneus e distribui no mercado norte-americano”, afirmou o presidente da empresa no País, Lafaiete Oliveira.
Ele explicou que a decisão sobre compras de produtos é tomada com antecedência e, se persistir o tarifaço, a unidade brasileira será prejudicada. “A filial norte-americana está decidindo de quem vai comprar no próximo ano e tem de preparar a produção de outras fábricas em outras regiões”, comentou Oliveira, destacando que a marca possui manufaturas em várias partes do planeta.
O executivo destacou que a incerteza é o que tem de pior para o ambiente de negócios e que a mudança de estratégia em busca de outros mercados é uma operação complicada. “Não temos clareza do que vai acontecer no futuro”, declarou
Segundo o presidente, os investimentos feitos em Santo André tornaram a planta “extremamente preparada” para a produção de pneus de alta tecnologia voltados ao mercado exterior. “As máquinas que nós temos são de última tecnologia na construção de pneus de caminhão. É realmente algo assim incrível, não tem outra fábrica no Brasil que tenha as máquinas que nós temos”, afirmou.
Um dos produtos desenvolvidos na unidade é o pneu R167E, voltado ao transporte urbano, principalmente ônibus elétricos, que foi apresentado pela empresa na última semana.
A Bridgestone exporta pneus de carga para Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia e México. “Estamos prontos para suprir o mercado brasileiro e internacional com capacidade de produção, tecnologia, qualidade e competitividade”, disse o presidente.
POSSIBILIDADES
Oliveira descartou a adesão da Bridgestone ao Brasil Soberano, programa do governo federal que oferta crédito a empresas afetadas pelo tarifaço por meio do BNDES(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Entretanto, sugeriu como alternativa que o Planalto priorize a compra de produtos fabricados no País.
O impacto do tarifaço na indústria da borracha foi levado pelo prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira (PSDB), ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no início de agosto. Ele pontuou cerca de 26% dos R$ 500 milhões que a cidade exportou aos Estados Unidos em 2024 foram produzidos por este setor.
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