Nossa Saúde Mental Sessões utilizam sons, ritmos e vivências musicais como ferramenta clínica para favorecer bem-estar
Rogério de Souza, 47, de São Bernardo, é musicoterapeuta há mais de 15 anos FOTO: Denis Maciel/DGABC

Há momentos em que as palavras parecem insuficientes para traduzir o que se sente. Nessas horas, um acorde, um ritmo ou até mesmo o silêncio entre notas pode abrir caminhos para a expressão. A música, que tantas vezes acompanha a vida de forma espontânea, também pode se tornar um recurso para o cuidado. É nesse território que atua a musicoterapia, campo que transforma sons em linguagem terapêutica.
“O som passa a ser uma forma de encontro entre paciente e terapeuta. Quando alguém não consegue colocar em palavras suas emoções, a música pode traduzir esse conteúdo”, explica o psicólogo e musicoterapeuta de São Bernardo, Rogério de Souza, 47, que há mais de 15 anos trabalha na área da saúde.
Segundo o profissional, a prática tem apresentado resultados importantes no enfrentamento de transtornos como ansiedade e depressão. “A música cria um ambiente de acolhimento. Muitas vezes, permite que a pessoa se expresse de maneira espontânea, e isso abre portas para reflexões que depois podem ser aprofundadas em outros processos terapêuticos”, diz Souza. Nos encontros, o psicólogo utiliza diversos instrumentos musicais, como acordeon, piano e violão.
As sessões podem ocorrer de forma individual ou em grupo, atendendo tanto crianças quanto adultos. No público infantil, especialmente aquele com necessidades específicas, como no caso do TEA (Transtorno do Espectro Autista), a musicoterapia exerce um efeito estimulante no desenvolvimento da comunicação e da socialização. Já nos adultos, atua como uma ferramenta de apoio em situações de crise emocional, luto, estresse intenso ou no tratamento de transtornos mentais.
Em Santo André, os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) utilizam a musicoterapia em suas diversas formas de atuação e estruturação como prática clínica em processo conduzido por profissionais.
Para o agente de viagens Matheus Tofanelli, 22, morador do município andreense e atendido pelo centro, a musicoterapia se tornou um divisor de águas no tratamento contra a dependência química. “Minha primeira sessão foi há dois anos e me senti muito acolhido. Foi um momento onde pude me expressar através da música”, conta.
Tofanelli relata ainda que, antes do tratamento, não sabia o que era musicoterapia. “Não tinha nem noção que a terapia utilizava a música. Na primeira vez, cheguei meio apreensivo, não queria cantar, não queria fazer nada, mas aos poucos fui me abrindo. No final da sessão em grupo, já estava cantando com todo mundo. Achei muito divertido e libertador”, relata.
De acordo com o paciente, as sessões despertam sensações de leveza e pertencimento. “É um momento terapêutico para mim, porque consigo trabalhar questões internas de uma forma diferente, sem precisar falar de tudo diretamente. A música ajuda a colocar para fora”, resume.
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