Nível baixo Medida reduz limite de água a ser retirado; Agência cobra da Sabesp ações adicionais para impedir desabastecimento
FOTO: Luis Moura/Estadão Conteúdo

A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo) informaram nesta quarta-feira (24) que o Sistema Cantareira, manancial que abastece a Região Metropolitana de São Paulo, incluindo o Grande ABC, passará a operar na faixa 4, de restrição, a partir de 1º de outubro, o que não ocorria desde janeiro de 2022.
A decisão foi motivada pela redução do volume armazenado no Sistema Cantareira, que atingiu 29,4% da capacidade operacional. Há três anos, em situação semelhante, o índice era de 30,3%. Até então, o cenário era considerado de atenção. No entanto, quando os níveis ficam entre 20% e 30%, a situação passa a ser classificada como crítica. Abaixo desse intervalo, é considerada emergencial.
Com o Cantareira em faixa de restrição, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) poderá retirar do sistema até 23 metros cúbicos por segundo (m³/s), em vez dos 27 m³/s autorizados para setembro, quando o sistema opera na faixa 3, de alerta.
Diante desse cenário, as agências ressaltaram a necessidade de a Sabesp adotar medidas adicionais, que deverão ser anunciadas pela companhia. Desde 27 de agosto, a empresa utiliza a estratégia de redução da pressão da água no período noturno, com o objetivo de economizar o volume dos reservatórios. A medida preventiva foi deliberada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo).
Nesta segunda-feira (22), a Sabesp ampliou o horário de redução da pressão, das 21h às 5h, para dez horas diárias, entre 19h e 5h. A companhia ainda não definiu sua nova estratégia operacional após a restrição determinada pela ANA e pela SP Águas.
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VOLUMES
O volume ideal dos mananciais é de 60% da capacidade, mas atualmente os reservatórios operam no menor patamar desde a crise hídrica de 2014 e 2015. A queda está relacionada às chuvas abaixo da média nos últimos meses.
Em 27 de agosto, quando a Sabesp iniciou a primeira fase da redução de pressão, o nível do Sistema Cantareira era de 35,5%. Esse volume foi caindo progressivamente até o dia 22. Com um leve retorno das chuvas, o índice subiu para 29,6%, voltando a cair para 29,4%, conforme registros desta quarta-feira (24).
O Alto Tietê, no início do racionamento, estava com 30,1% da capacidade e atualmente registra 25,7%. O menor nível no período foi registrado na segunda-feira (22), com 25,4%.
O reservatório em situação mais crítica, que abastece a região, é o do Rio Claro, que começou, em 27 de agosto, com 22,3% da capacidade. No dia 19 de setembro, atingiu o menor índice: 18,7%, subindo levemente para 19,1%, o que caracteriza estado emergencial.
O Rio Grande, embora tenha o maior volume, também apresenta queda gradual. Iniciou o racionamento com 58,9% e está, atualmente, com 54,2%. O menor registro foi no dia 22, com 52,9%. Esse reservatório abastece cerca de 1,2 milhão de residências no Grande ABC.
As chuvas desta semana trouxeram uma leve melhora, e o racionamento tem evitado que os níveis caiam ainda mais, segundo informou a Sabesp. A companhia informou que a meta de economizar 4 m³ de água por segundo foi alcançada. Entre 27 de agosto e 19 de setembro, foram economizados 4,2 m³/s, o equivalente a mais de 7,2 bilhões de litros de água – volume suficiente para abastecer, por um mês, uma cidade do porte de São Bernardo.
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