Previsão Esse cenário é mais preocupante em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde os temporais podem ser mais intensos até o fim de outubro
FOTO: Claudinei Plaza | DGABC

A primavera de 2025 começou trazendo contrastes climáticos que devem marcar a estação em todo o Brasil. Segundo a Climatempo, as diferenças bruscas de temperatura entre massas de ar frio e quente aumentam a probabilidade de ventos fortes e tempestades severas, fenômenos típicos das estações de transição. Esse cenário é mais preocupante em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, onde os temporais podem ser mais intensos até o fim de outubro.
“O contraste térmico favorece rajadas de vento e temporais, especialmente nesta época do ano, quando a amplitude térmica é maior. Esse risco tende a diminuir a partir do fim de novembro, quando o clima passa a ter características de verão”, explica o meteorologista Vinícius Lucyrio, da Climatempo.
O resfriamento do Pacífico Equatorial, que indica a formação do fenômeno La Niña, já é registrado há alguns meses. A expectativa é de que a sua influência, embora fraca e de curta duração, se estenda pela primavera e pelo início do verão.
No Brasil Central, o La Niña pode atrasar a regularidade das chuvas. Porém, quando o período úmido se instala, o fenômeno favorece a formação de canais de umidade, trazendo precipitações mais frequentes para o norte do Mato Grosso, Planalto Central, Minas Gerais, Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro e sul da Bahia. Nesses locais, há risco de inundações e deslizamentos, sobretudo em áreas de relevo acidentado.
No Sul do País, a previsão aponta para chuvas mais irregulares e espaçadas a partir de novembro, com intervalos secos prolongados e ondas de calor mais intensas a partir de dezembro.
Já na Amazônia, a expectativa é de chuvas volumosas durante a primavera, principalmente na porção ocidental. O regime de precipitações deve se intensificar no início de 2026, mesmo após o enfraquecimento do La Niña.
No Nordeste, os efeitos do fenômeno serão menos expressivos, restritos principalmente ao período úmido da costa norte (de fevereiro a abril) e da faixa leste (de maio a julho).
Se a instabilidade chama atenção, o calor também promete ser protagonista nos próximos meses. De acordo com a Climatempo, as temperaturas ficarão acima da média em boa parte do Brasil, com destaque para o Maranhão, Piauí e Ceará, onde os termômetros podem passar dos 40 °C até dezembro.
No Centro-Sul, os termômetros devem ficar mais próximos da média histórica, mas com grande variabilidade no Sul — porta de entrada de frentes frias frequentes. No Sudeste, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, ainda são esperadas ondas de calor até novembro, mas em intensidade menor do que as registradas em setembro, devido ao aumento da umidade e ao retorno das chuvas.
Impacto no dia a dia e na economia
Além das implicações climáticas, o aumento das temperaturas deve impactar diretamente o consumo. Produtos típicos de calor — como roupas leves, protetores solares, hidratantes, repelentes e bebidas — devem ganhar espaço, assim como a procura por ventiladores, climatizadores e aparelhos de ar-condicionado.
“Devemos ter um verão muito parecido com o de 2024/2025. Isso deve impulsionar setores ligados ao clima quente, principalmente o de climatização”, projeta Lucyrio.
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