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Lula bate de frente com Trump na ONU: 'Agressão contra independência do Judiciário é inaceitável'

No discurso, o presidente brasileiro afirmou que os ideais que inspiraram a criação da ONU estão ameaçados

23/09/2025 | 11:46
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FOTO: Ricardo Stuckert / PR Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pronunciamento contundente nesta terça-feira (23) na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, diante do presidente Donald Trump, criticando sanções e medidas unilaterais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

No discurso, Lula afirmou que os ideais que inspiraram a criação da ONU estão ameaçados: “O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta Organização está em xeque.”

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Sem citar nomes, o presidente alertou para a consolidação de uma desordem internacional marcada por concessões à política do poder: “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra. Existe um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades.”

Lula criticou ainda o cerceamento das liberdades em várias partes do mundo: “Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas. Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa.”

Ao falar sobre o Brasil, o presidente ressaltou a resistência democrática do país: “Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável.”

Ele ainda criticou a atuação de setores internos que apoiam ingerências externas: “Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.”

Lula destacou a responsabilização de líderes que atentam contra a democracia: “Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.”

O momento mais enfático do discurso veio com a defesa da soberania brasileira: “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.”

DGABC



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