Editorial A instalação da Frente Parlamentar para o Combate e Tratamento do Transtorno do Jogo, na Assembleia Legislativa, é passo necessário diante do crescimento acelerado das apostas on-line e físicas no País. Estima-se que milhões de brasileiros já sofram com dependência, enfrentando não apenas perda financeira, mas também conflitos familiares e abalo psicológico. Trata-se de problema de saúde pública que exige respostas articuladas entre Estado, sociedade civil e especialistas, sob pena de comprometer gerações inteiras. O grupo de deputados do Grande ABC, ao assumir essa responsabilidade, insere a região em debate de interesse nacional, colocando em evidência questão que ultrapassa fronteiras.
O grupo pode colaborar para mitigar o impacto do vício em jogos. Uma delas é propor campanha de conscientização com informações claras sobre riscos e consequências. Outra medida é o fortalecimento da rede de saúde, com a ampliação de vagas em Centros de Atenção Psicossocial e capacitação de profissionais para atender dependentes e familiares. Além disso, a atuação conjunta com órgãos de defesa do consumidor pode ajudar a criar regras mais rígidas de publicidade e limitar a exposição de vulneráveis a plataformas de apostas. O parlamento, ao mediar esse diálogo, pode também contribuir para garantir financiamento de programas que hoje são insuficientes diante da demanda crescente.
Cabe destacar que o lançamento da frente, encabeçada pelo deputado estadual Rômulo Fernandes (PT), não deve ser encarado como ponto final, mas como início de uma agenda contínua de trabalho. O risco de que o vício em jogos se torne ainda mais disseminado está ligado à ausência de fiscalização e de políticas consistentes. Por isso, o Diário acompanhará de perto os desdobramentos, fiscalizando se as promessas de prevenção, tratamento e acolhimento serão efetivamente implementadas. A expectativa é alta. O envolvimento dos parlamentares reforça a responsabilidade do poder público em buscar soluções viáveis para tema que já compromete a renda e a saúde mental de milhares de cidadãos. A ver.
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