Lados opostos Expectativa é que líder brasileiro responda a sações norte-americanas
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, participarão pela primeira vez de uma mesma agenda internacional, na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que começa nesta terça-feira (23), em Nova York, com o líder brasileiro responsável pelo discurso de abertura. Apesar da proximidade, não há previsão de reunião entre as duas autoridades, em meio ao tarifaço da Casa Branca a produtos brasileiros e sanções aplicadas em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A expectativa é que Lula inicie o discurso por volta das 10h, mantendo assim a tradição de o Brasil ser o Estado-membro a abrir a Assembleia Geral. Depois da fala do presidente brasileiro, Donald Trump, representante do país anfitrião, faz o seu pronunciamento, o que deverá evidenciar um notável contraste de posicionamentos entre dois líderes globais na ONU.
Perante chefes de estado, Lula tende a reforçar a soberania do Brasil em meio à ofensiva de Trump, responsável por aplicar desde o início de agosto tarifas de 50% a produtos brasileiros no mercado norte-americano. Às vésperas da reunião na ONU, Washington impôs a Lei Magnitsky contra a esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), Viviane Barci, e os filhos. O magistrado é visto como o maior carrasco de Bolsonaro e alvo de apoiadores do ex-presidente nos Estados Unidos.
A tensão entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca aumentou após a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, com penas defendidas por Moraes, relator do processo, em concordância com os demais integrantes da Primeira Turma do STF. Reiteradamente, os ministros afirmam que não se intimidarão com as pressões dos Estados Unidos nos desdobramentos da ação penal.
Outro contraste entre Lula e Trump poderá ter como palco o debate sobre a ofensiva de Israel sobre a Faixa de Gaza, no Oriente Médio. O presidente brasileiro voltou a defender, nesta segunda-feira (22), a criação do Estado da Palestina e tem classificado como “genocídio e limpeza étnica” o avanço militar israelense, apoiado pelos Estados Unidos, às vésperas da Assembleia Geral.
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