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Projeto educativo com cães em Rio Grande da Serra impacta três mil pessoas

Iniciativa voluntária de agentes da GCM promove há três anos apresentações interativas em escolas, faculdades e lares de idosos

Yuri Kumano
Especial para o Diário
21/09/2025 | 12:00
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Entre latidos e brincadeiras, o projeto Comunicação Salva Vidas leva momentos de aprendizado por meio de atividades conduzidas com o apoio de animais treinados. A iniciativa é idealizada pelos GCMS (Guardas Civis Municipais) de Rio Grande da Serra e adestradores, Renan Bressani, 40 anos, e Gilberto Souza, 42 anos, que realizam apresentações interativas em escolas, instituições de ensino superior e casas de repouso. Em atividade há três anos, o projeto já atendeu mais de 3.000 pessoas no Grande ABC e em cidades como Itapevi e Capital.

Entre os astros do projeto estão: Apolo, um pastor-holândes de 6 anos, especialista na busca de entorpecentes e pessoas, e que, em 2022, encontrou uma jovem que estava desaparecida por cinco dias. Outro destaque é Orion, da raça bloodhound, com 3 anos, também treinado para localizar pessoas. Já a pequena Belinha, de apenas 2 meses, uma Golden Retriever, atua na cinoterapia, a terapia assistida por animais.

No dia 8 deste mês, foi a vez da E.E. (Escola Estadual) Edmundo Luiz de Nobrega Teixeira, em Rio Grande da Serra, que recebeu uma palestra dedicada aos alunos do 1° e 2° ano do ensino fundamental. Antes das atividades, Bressani e Souza estabeleceram alguns combinados com as crianças: “Sempre respeitem o pai e a mãe. Nunca abram a porta para estranhos. Ao sair de casa, devem sempre avisar onde estão indo. Se estiverem passando por algum problema, podem sempre contar com o apoio de algum amigo ou familiar”, diz Souza.

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As dinâmicas interativas consistem em ensaios de busca de entorpecentes, em que as crianças escondiam uma pelúcia pela escola, e em seguida, Apolo a encontrava. “Tem um produto químico que nós usamos na pelúcia, ele tem um cheiro similar ao da droga, mas não é droga real, faz parte do método Nose, o cão é treinado a identificar e seguir esse cheiro”, explica Bressani.

Outra atividade é a simulação da busca de pessoas, em que os GCMS traziam três barris e escondiam uma criança em um deles, o cão farejava e sinalizava em qual barril o aluno estava “Apesar de ser uma simulação para nós, para o cão é um trabalho real, ele age exatamente como se estivesse em uma situação de busca”, complementa Bressani. A palestra também contou com a busca de alunos, onde a criança esfregava seu cheiro em um pano, se escondia, e Orion o encontrava. As crianças também puderam experimentar a força da mordida de um cão treinado, usando a proteção adequada.

Além do público infantil, o projeto atinge o público mais velho, em casas de repouso de idosos e instituições de ensino superior. “Em 2023 começamos a receber a demanda de faculdades, então agora levamos a palestra para o pessoal de Medicina Veterinária e Direito, explicando o trabalho técnico, desde a parte da ciência do odor, até a questão dos cuidados e tratamentos na formação dos cães”, explica Souza.

Para integrar a equipe, a terapeuta Marissol Gutierrez, 54 anos, auxilia quem tem receio de interagir com os animais “O meu primeiro contato com os meninos foi quando levaram o projeto para uma clínica de repouso, onde está a minha mãe. A minha finalidade é de supervisionar, intervir quando necessário, ver os incômodos que as pessoas apresentam e poder ajudar. Assim como aconteceu com uma aluna na escola, ela estava com medo, foi levada até um cantinho e ficou chorando, fui lá, conversei com ela, entendi de onde veio o medo, expliquei que nem todo cachorro é bravo, levei a Belinha para trabalhar esse trauma, ela se permitiu, brincou com ela, se acalmou, e foi embora feliz com a professora”, relata Marissol.

O diretor da escola, Pedro Alexandre Silvestre, 51 anos, comenta como o projeto é benéfico para as crianças. “Acolhemos os alunos de 1° e 2° ano justamente porque eles estão ingressando na vida escolar, e essas atividades socioemocionais são uma experiência que as crianças nunca vão esquecer, eles já estiveram outras vezes aqui, no começo do projeto, e os alunos mais velhos lembram até hoje, são parceiros nossos, e as portas estarão sempre abertas para quando eles quiserem retornar”, afirma o diretor.

Canil da GCM

Neste ano, a Prefeitura de Rio Grande da Serra encerrou o trabalho do canil da GCM, porque os animais que integravam a equipe não eram de propriedade da administração municipal. Os quatro cães da equipe pertencem a Renan. “Em meados de janeiro, a Prefeitura decidiu encerrar nosso termo, o Paço entendeu que queria começar um novo projeto, então nós continuamos com o nosso de maneira particular e voluntária”, conclui Bressani.




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